Presidente da República lamenta morte do historiador Diogo Ramada Curto

Diogo Ramada Curto, professor catedrático da Faculdade de Ciências, Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, morreu no sábado, aos 66 anos.

12 de abril de 2026 às 11:32
Diogo Ramada Curto Foto: Miguel Baltazar/Jornal de Negócios
Partilhar

O Presidente da República manifestou este domingo tristeza e consternação pela morte do diretor-geral da Biblioteca Nacional de Portugal, o historiador Diogo Ramada Curto, destacando o seu trabalho universitário e a "longa lista" de livros e artigos que publicou.

Diogo Ramada Curto, professor catedrático da Faculdade de Ciências, Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, morreu no sábado, aos 66 anos.

Pub

Numa nota publicada na página da Presidência da República, refere-se que foi "com tristeza e consternação" que António José Seguro tomou conhecimento da morte de Diogo Ramada Curto.

"Com o seu trabalho universitário, a sua longa lista de livros e artigos publicados, bem como através de uma contínua e sempre assinalável participação no debate público sobre a cultura e a história portuguesas, distinguiu-se na vida intelectual portuguesa", salienta o chefe de Estado na mesma nota.

O Presidente da Republica considera que "Diogo Sassetti Ramada Curto foi um académico prestigiado, com passagem por universidades como o Instituto Universitário Europeu de Florença (onde ocupou a Cátedra Vasco da Gama), a École des Hautes Études em Paris, e as universidades de Yale, Brown, Barcelona ou São Paulo".

Pub

"Era diretor da Biblioteca Nacional e professor catedrático da Nova FCSH. Defendeu, na linha do seu mestre Vitorino Magalhães Godinho, que o estudo da História faz parte das necessidades de formação de cidadãos conscientes e ativos", acrescenta.

O Presidente da República realça, ainda, que Diogo Ramada Curto tratou "temas como racismo, classe social e questões de género".

"A sua voz crítica ergueu-se frequentemente contra as visões mais tradicionais, complacentes ou apenas celebratórias da História portuguesa, recusando-a como um dogma", sustenta.

Pub

Como diretor da Biblioteca Nacional, o chefe de Estado considera que lhe deu "um novo caráter, dinamizando-a com inteligência e paixão, confirmando-a como lugar de estudo, encontro e debate, que desde sempre frequentou".

Diogo Ramada Curto nasceu em Lisboa, em 1959. Foi nomeado diretor-geral da Biblioteca Nacional de Portugal em abril de 2024.

Professor catedrático no Departamento de Estudos Políticos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-Nova), onde se licenciou em História, doutorou em Sociologia Histórica e lecionou nos departamentos de Sociologia e História, Ramada Curto foi também professor visitante em diferentes instituições de ensino superior, como a École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, França, a Universitat Autònoma de Barcelona, em Espanha, a Brown University e a Yale University, nos Estados Unidos, e a Universidade de São Paulo, no Brasil.

Pub

Entre 2000 e 2008, ocupou a Cátedra Vasco da Gama em História da Expansão Europeia do Instituto Universitário Europeu, em Florença.

O seu trabalho de investigação foi desenvolvido três áreas -- cultura escrita e intelectual, impérios e colonialismo, e cultura política --, somando dezenas de títulos e artigos dedicados a temas como globalização, história global e história dos impérios, história das ideias políticas, história da escravatura ao trabalho forçado, assim como a abordagem do livro e da leitura, na perspetiva da Sociologia Histórica.

Entre as suas mais recentes obras estão "Um país em bicos de pés - Escritores, artistas e movimentos culturais" (Edições70, 2023), com que venceu o Prémio de Ensaio Jacinto do Prado Coelho da Associação Portuguesa dos Críticos Literários, em 2024, e "O colonialismo português em África - De Livingstone a Luandino" (Edições70, 2020).

Pub

Em 2014, foi distinguido com o Prémio PEN Clube na categoria de Ensaio com o livro "Para que serve a história?" (Tinta da China, 2013) e, em 2015, com o Prémio Jabuti (coletivo) atribuído à obra "O Brasil colonial" (Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2014).

Entre as obras de Ramada Curto contam-se igualmente "Políticas coloniais em tempo de revoltas - Angola circa 1961", em coautoria com Teresa Furtado e Bernardo Pinto da Cruz (Afrontamento, 2016), "Cultura imperial e projectos coloniais, séculos XV-XVIII" (Campinas, Unicamp, 2009), e "Bibliografia da História do Livro em Portugal" (BNP, 2005).

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar