PSD acusa UGT de intransigência negocial e sugere que não informou os sindicatos

Posição foi transmitida pelo líder parlamentar social-democrata após as negociações sobre a revisão das leis do trabalho terem terminado sem acordo entre parceiros sociais e Governo.

07 de maio de 2026 às 18:38
Hugo Soares Foto: DR
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O PSD acusou esta quinta-feira a UGT de ter demonstrado absoluta intransigência, recusando consensualizar um acordo para revisão das leis laborais, e sugeriu que esta confederação sindical não informou devidamente os seus sindicatos ao longo das negociações.

Esta posição foi transmitida pelo líder parlamentar social-democrata, Hugo Soares, em conferência de imprensa, no parlamento, após as negociações sobre a revisão das leis do trabalho terem terminado sem acordo entre parceiros sociais e Governo.

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"Ficou demonstrado que a UGT esteve desde o princípio absolutamente intransigente. A UGT não quis nunca chegar a um acordo com o Governo e com os restantes parceiros sociais. A sociedade civil, o Governo, o Grupo Parlamentar do PSD e muita gente, quer trabalhadores, quer empresários, gostavam que tivesse acontecido um acordo de concertação social", declarou o presidente da bancada do PSD.

Na conferência de imprensa, Hugo Soares manifestou depois dúvidas se os sindicatos que estão filiados na UGT tiveram acesso a informação suficiente sobre a evolução das negociações em sede de concertação social.

"Tenho dúvidas se os sindicatos souberam a par e passo tudo aquilo que aconteceu na concertação social. Depois de tanto esforço, depois de mais 900 horas de negociação, depois de mais 130 artigos consensualizados, sobravam seis. E um dos parceiros sociais [a CIP, na quarta-feira] apresentou soluções que iriam ao encontro daquilo possível de ser atendido pela UGT, mas nem assim foi possível", apontou.

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De acordo com o líder parlamentar social-democrata, a atuação da UGT ao longo deste processo pode ser resumida na frase do secretário-geral desta central sindical, Mário Mourão, quando, segundo Hugo Soares, disse "que não tinha proposta nenhuma para apresentar".

"É caso para perguntar o que lá foram hoje fazer", completou.

Antes, Hugo Soares tinha observado "que não deixa de ser curioso a necessidade de o secretário-geral da UGT ter repetido esta quinta-feira, em conferência de imprensa, a ideia de que a sua central sindical está muito unida".

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"É caso para perguntar qual a necessidade que tem o secretário-geral da UGT de estar a dizer constantemente que a UGT está muito unida. É caso para perguntar se, efetivamente, os sindicatos que fazem parte desta confederação sindical conhecem verdadeiramente tudo aquilo que se passou na concertação social", rematou.

Perante os jornalistas, o presidente da bancada do PSD defendeu que houve um esforço do Governo para chegar a um acordo com os parceiros sociais, mas, na sua perspetiva, "desde o primeiro momento, a UGT não tinha intenção nenhuma de chegar a acordo com os parceiros sociais".

"De resto, sabemos todos que eram questões já muito pequenas e poucas que separavam a UGT da proposta do Governo. Ao que se sabe, a UGT terá mesmo renegado todos os consensos que já tinham logrado obter nas mais de 900 horas de negociação", referiu ainda.

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Na mesma linha, o outro partido que suporta o Governo, o CDS-PP, pela voz do líder parlamentar, Paulo Núncio, acusou a UGT de não ter estado "à altura das circunstâncias e da sua história", lamentando a posição da central sindical.

"A UGT foi o parceiro social que menos cedências fez no âmbito das negociações. E quando o país esperava maturidade e bom senso, a única coisa que a UGT fez foi colocar os seus interesses pessoais à frente dos interesses do país", criticou.

Após afirmar que "o CDS tudo fará" para que esta reforma seja aprovada no parlamento, Paulo Núncio deixou ainda críticas ao PS.

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"O PS vem dizer que esta reforma laboral é ilegítima e que poderá ficar coxa caso venha a ser aprovada no parlamento porque não mereceu o acordo na concertação social. Ora, é preciso descaramento para o PS dizer isto", condenou.

Para o deputado do CDS-PP, "é absolutamente inaceitável que um partido que ignorou olimpicamente a concertação social venha agora a fazer a triste figura de exigir este acordo que nunca quis nem nunca procurou quando fez as suas alterações à legislação laboral".

"Demonstra um nível de hipocrisia a que só os socialistas conseguem chegar", acrescentou.

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