Mais fácil recasar após o verão

Fim do prazo internupcial aguardava por outras propostas do Governo para alterar Código Civil.

13 de fevereiro de 2018 às 01:30
Homens e mulheres vão poder voltar a contrair matrimónio após um divórcio ou no seguimento de viuvez. Acabam-se, para as mulheres, os 300 dias de espera Foto: iStockPhoto
Casamento Foto: Getty Images
Casamento Foto: Getty Images
Casamento Foto: Getty Images

1/4

Partilhar

Os cidadãos que queiram voltar a casar, depois de um divórcio ou viuvez, vão poder fazê-lo sem estarem obrigados legalmente a esperar. Um projeto de lei conjunto do PS, BE e PAN deverá ser aprovado - mas as mudanças só surgirão após o verão.

Até agora, os homens tinham de esperar 180 dias depois do divórcio ou da viuvez para recasar; as mulheres 300 dias (ou 180 se provassem, com atestado médico, que não estavam grávidas). O projeto conjunto do PS, BE e PAN prevê o fim do prazo internupcial, independentemente do sexo.

Pub

A proposta esteve parada no Parlamento durante seis meses. "Na mesma altura em que o projeto estava a ser finalizado, o Governo pediu para aguardarmos até ao primeiro trimestre de 2018", diz ao CM Sandra Cunha, deputada do BE. O fim do prazo internupcial só deveria avançar quando estivessem prontas outras alterações no Código Civil que o Governo preparava - relativas à proteção dos cidadãos em situação de vulnerabilidade/incapacidade. "O Executivo queria fazer todas as mudanças num único ato legislativo", explica.

Na sexta-feira, chegou ao Parlamento a proposta do Governo de revisão do "regime do maior acompanhado", pelo que o início do " fim do prazo internupcial está agora em condições de avançar", defende Pedro Delgado Alves, do PS. "Estamos só a aguardar o agendamento da discussão do projeto do Governo na generalidade", o que, "na pior da hipóteses, será feito até ao verão". A entrada em vigor de ambas as mudanças só deverá ocorrer "após o verão, se o processo for rápido", frisa.

Pub

A revogação do prazo internupcial já tinha sido alvo de um parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. Para a bloquista Sandra Cunha, a atual lei é "desatualizada, conservadora e sexista", existindo já "mecanismos de averiguação de paternidade".

SAIBA MAIS 

300

Pub

Até 1966, os homens tinham de esperar seis meses para voltarem a casar; as mulheres um ano. A partir de 1966, o Código Civil passou a prever, no artigo 1065º, que o prazo imposto às mulheres passasse a 300 dias.

Espanha e França

Tanto em Espanha como em França, os cidadãos, independentemente do sexo, podem divorciar-se num dia e casarem de novo no dia seguinte. No caso espanhol, até 1981 uma mulher tinha de esperar 300 dias após ter ficado viúva ou se ter divorciado para recasar.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar