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Burlão esconde-se em Portugal como estafeta após golpe de 26 milhões de euros na América

Pai de quatro filhos, Syed trabalhava em Portugal a entregar comida na Glovo.

13 de abril de 2026 às 01:30

Procurado pela justiça americana por uma fraude que ronda os 31 milhões de dólares [o que corresponde a 26 milhões de euros], Syed Abedi, 39 anos, estava escondido no nosso país desde junho de 2024. Pai de quatro filhos, Syed trabalhava em Portugal a entregar comida, como estafeta da Glovo. No início do mês passado foi caçado pela Polícia Judiciária de Faro, a pedido da Interpol, quando tentava embarcar para os Países Baixos, para onde viajava com bastante frequência. Atualmente em prisão preventiva, Syed opõe-se à extradição. O mandado de detenção internacional foi emitido nos Estados Unidos em outubro de 2024. Nessa altura, Syed já estava no nosso país instalado com a família – mulher e três filhos. Recentemente nasceu o quarto filho. O menino já tem nacionalidade portuguesa.

Segundo a Interpol, que pediu colaboração às autoridades portuguesas, “Syed Abedi e a sua esposa cometeram, no ano de 2023, fraude sobre o Medicare, um programa federal de benefícios de saúde, ao cobrarem indevidamente kits de testes de Covid-19 que nunca foram fornecidos ou solicitados pelos beneficiários do Medicare”. Para tal, Syed, natural da Índia, adquiriu um laboratório de análises clínicas no Texas e foi a partir daí que terá agido nesta fraude milionária. “Atuando através da empresa, Abedi e a mulher apresentaram e provocaram a entrega de aproximadamente 370 mil pedidos de reembolso no valor aproximado de 46 milhões de dólares [o que equivale a 39 milhões de euros]. O Medicare pagou à empresa aproximadamente 31 milhões de dólares pelos pedidos de reembolso [o correspondente a mais de 26 milhões de euros]. Syed recebeu milhares de dólares nas contas pessoais, entre maio e junho de 2023 mas agora não há rasto do dinheiro. Garante que nem sequer sabia que estava a ser procurado e sugere que pode ter sido vítima de roubo de identidade. As autoridades americanas não acreditam nesta versão e por isso querem que seja extraditado o mais rápido possível para ser julgado por fraude. Arrisca dez anos de cadeia.

Advogado põe filho como travão à extradição

Pedro Pestana, advogado de Syed Abedi, diz que “segundo a lei há limitações à extradição, nomeadamente por ter um filho menor de nacionalidade portuguesa a residir no nosso país”. Para além disto o advogado diz que “as autoridades americanas não instruíram o processo com elementos probatórios ou indícios mínimos da intervenção do arguido na prática dos crimes, sendo que o mesmo tudo nega”.

Apesar da mulher de Syed Abedi ser referida nesta fraude, a verdade é que não está implicada no pedido de detenção internacional feito pelos Estados Unidos da América. Syed estava na lista dos procurados pela Interpol desde outubro de 2025. Acabou detido no dia 4 do mês passado em pleno aeroporto de Faro.

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