Rui Rio desvaloriza censura mas fica ao lado do CDS
Aproveita para atirar farpa a sociais-democratas: "É natural que o PSD seja arrastado”.
O PSD dá uma no cravo e outra na ferradura. Por um lado, vai votar esta quarta-feira ao lado do CDS na moção de censura ao Governo. Por outro lado, desvaloriza a iniciativa dos centristas pois "não tem qualquer efeito prático".
O grupo parlamentar social-democrata usou as redes sociais para anunciar o voto a favor da moção. "É por demais evidente que a moção de censura ao Governo apresentada pelo CDS não tem qualquer efeito prático", acrescenta logo a seguir.
Na TSF, o vice-presidente social-democrata David Justino explicou a postura do PSD: "Se fosse só pela oportunidade não votaríamos, mas como não é pela oportunidade, é pelo conteúdo e pelo objetivo, não temos problema nenhum em votar [a favor]."
Ao final da tarde, Rui Rio deu a cara pela decisão: "Se dizemos mal [no debate], íamos votar favoravelmente?", questionou. O presidente social-democrata admitiu também que só não apresenta uma iniciativa semelhante por "não ter efeito prático nenhum". "Seriam as eleições antecipadas quatro meses."
O primeiro-ministro aproveitou a deixa para repetir que a moção servirá só para disputa à direita. E lançou a farpa: "É natural que o PSD seja arrastado para esta situação."
PORMENORES
Metade mais um
A aprovação de uma moção de censura tem de ser feita por um mínimo de 116 deputados e implica a demissão do Governo.
Distribuição
Sozinho, o PS tem 86 deputados. Terá a votar ao seu lado o PCP e Os Verdes (17 deputados), o BE (19 deputados) e provavelmente o PAN (1 deputado), num total de 123 parlamentares.
Direita
Nas bancadas da direita, o PSD conta com 89 deputados, a que se somam os 18 do CDS. Sozinhos, os dois partidos não aprovam a moção de censura.
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