Saíram das autarquias para 'prateleiras douradas'
Ex-autarcas que atingiram o limite de três mandatos consecutivos à frente dos mesmos municípios, enveredaram por outros cargos em instituições oficiais, tanto em Portugal como lá fora.
Foram cerca de 90 antigos presidentes de câmara que tiveram de abandonar a liderança das autarquias, devido ao limite de três mandatos consecutivos, mas alguns destes saltaram para ‘prateleiras douradas’. Rui Moreira, ex-presidente da Câmara do Porto, é um desses exemplos. Apresentou-se ao longo dos 12 anos como independente, mas foi sempre próximo de António Costa e posteriormente de Luís Montenegro. Aos 69 anos, Rui Moreira abraçou o desafio de embaixador de Portugal na OCDE, por nomeação do Governo. Sucedeu a Manuel Lobo Antunes, diplomata de 67 anos, que exercia funções desde março de 2022. A saída ocorreu por limite de idade.
Paulo Fernandes (PSD), ex-presidente da Câmara do Fundão, tem estado em destaque devido ao cargo que assumiu recentemente. Foi também nomeado pelo Executivo, mas para coordenar a Estrutura de Missão para recuperação das áreas atingidas pelo mau tempo no início deste ano. O histórico autarca de Aveiro Ribau Esteves (PSD) foi eleito em fevereiro presidente da CCDR Centro.
Álvaro Amaro (CDU), anterior autarca de Palmela, preparava-se aos 64 anos para regressar ao ensino, profissão que já abraçava antes de ter o seu tempo ocupado a 100% na vida política, mas acabou escolhido pelos nove municípios da região para ser primeiro secretário da nova Comunidade Intermunicipal (CIM) da Península de Setúbal.
Por sua vez, José Alberto Quintino, ex-presidente da Câmara de Sobral de Monte Agraço, que nas últimas autárquicas deixou de ser um bastião comunista, é atualmente funcionário da Agência de Energia e Ambiente do Oeste.
Carlos Pinto de Sá (CDU) é o exemplo de trocar de município, mas continuar no poder. O ex-presidente de Évora é agora presidente do município vizinho de Montemor-o-Novo, tendo regressado a um cargo que já tinha ocupado entre 1994 e 2012.
Regressos profissionais e reformas
Outros ex-presidentes voltaram às suas profissões como Ricardo Rio (Braga) que voltou a ser consultor e docente universitário; Nuno Mascarenhas (Sines) regressou às funções na área financeira na Administração dos Portos de Sines e do Algarve. Rogério Bacalhau (Faro) e Eduardo Vítor Rodrigues (Gaia) voltaram a dar aulas.
Já Carlos Carreiras (Cascais) pediu a reforma aos 64 anos, mas continua a colaborar com instituições sociais no município e está ligado a projetos como o Mundial de Futebol de2030. Basílio Horta (Sintra), 82 anos, reformou-se e está a recuperar de uma cirurgia. Também António Anselmo (Borba), de 69 anos, está reformado.
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