Uso da base das Lajes e como se posiciona Portugal: o que foi discutido no debate marcado pelo conflito no Médio Oriente

Conflito no Médio Oriente está a marcar o debate quinzenal que decorre esta quarta-feira no Parlamento.

Atualizado a 04 de março de 2026 às 18:26
Luís Montenegro durante o debate quinzenal Foto: Tiago Petinga/Lusa
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O conflito no Médio Oriente, em especial a posição do Governo e o uso da base das Lajes pelos Estados Unidos, marcou o debate quinzenal que decorreu esta quarta-feira no Parlamento.

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, criticou a intervenção militar dos Estados Unidos e de Israel no Irão, mas também assumiu que o partido repudia o regime "teocrático" iraniano. Carneiro quis saber se Montenegro também condenava os ataques, mas considera que o primeiro-ministro não respondeu à questão. 

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O primeiro-ministro, Luís Montenegro, reforçou que foi dada uma autorização condicional aos EUA e que essa autorização foi tomada com consulta dos líderes dos três principais partidos. A justificação não agradou à porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes, que questionou a razão pela qual não foram consultados todos os partidos, face à importância do tema, e reiterou que "o Livre está disponível para o diálogo".

O primeiro-ministro acrescentou que o acompanhamento da utilização da base das lajes é feito ao abrigo de um decreto-lei de 2017 aprovado "por um governo e uma maioria do PS, nessa circunstância até uma maioria que era constituída no parlamento, também pelos partidos da esquerda", no período da denominada "geringonça". "Se o PS estivesse aqui sentado faria o mesmo que o Governo de Portugal está fazer", afirmou Montenegro, em reação às críticas do PS.

O presidente do Chega, André Ventura, defendeu o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, mencionando os vários iranianos que se manifestaram em todo o mundo "e disseram obrigado a quem os livrou" do governo do Irão. "Vocês estão sempre, sempre, do lado errado da história", acusou André Ventura, dirigindo-se maioritariamente ao PS e ao PSD.

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Ventura questionou ainda Montenegro sobre o repatriamento de portugueses no Médio Oriente e condenou o facto de os cidadãos estarem dependentes de voos comerciais, sem ajuda do Governo. O primeiro-ministro reiterou que já estão em curso "operações de repatriamento" e reforçou a importância do sigilo dos contornos para proteção e segurança dos próprios portugueses.

Mariana Leitão, líder da Iniciativa Liberal, manifestou "total solidariedade" para com o povo iraniano que sofre "há décadas". "O direito internacional serve para proteger as pessoas, não um regime", afirmou Mariana Leitão.

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A preparação económica para a guerra também foi tema. A deputada da IL aproveitou a intervenção para questionar a ação e preparação do Executivo para a desaceleração económica e instabilidade que naturalmente advém de um conflito a grande escala.

Luís Montenegro assegurou que o projeto económico do País não está em desgaste, mas sim "pujante" e descarta razões para preocupação.

Ainda durante o debate, o deputado único do BE, Fabian Figueiredo, considerou que o Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, estendeu "o rastilho de um barril de pólvora" e Luís Montenegro "foi a correr para lhe acender o isqueiro". Fabian Figueiredo acusou o Executivo de "branquear crimes de guerra" com a autorização condicional para a base das Lajes, já que "não tem como saber o que passa, aterra e descola daquelas pistas".

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Montenegro recusa comparações

O primeiro-ministro recusou comparar a posição do executivo com a de outros países europeus. Montenegro lembrou que Espanha só entrou na NATO em 1982, enquanto Portugal é um dos países fundadores e que esse pode ser um fator para posições divergentes no que toca ao uso de bases militares pelos norte-americanos. Montenegro teve a mesma resposta à questão levantada pela porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes, relativa à necessidade de o primeiro-ministro falar ao País sobre o conflito, à semelhança, por exemplo, de França. 

Não adiantando longos comentários sobre as outras nações, Luís Montenegro reiterou que a sua obrigação é "proteger o Estado português, a integralidade do seu território, a sua soberania, a sua capacidade de poder defender-se, a sua segurança, e, através de tudo isso, a proteção dos direitos fundamentais das pessoas" e "da dinâmica económica" do país.

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"Tenho a certeza absoluta que não me vou arrepender de nada daquilo que fizemos nestes dias", rematou, com confiança. 

Os temas esquecidos

O secretário-geral do PSD, Hugo Soares, chamou atenção para a importância de se falar sobre o PTRR e sobre os portugueses que foram vítimas das intempéries e que ainda precisam de ajuda. "Não falamos dessas matérias só quando elas são 'sexy' para os jornais", disse.

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Ventura diz que presidente da mesa da Assembleia da República "não devia estar ali"

André Ventura pediu uma interpelação à mesa, na qual acabou por acusar a presidente da mesa da Assembleia da República de ser mais deputada do PSD do que presidente da mesa e disse mesmo que esta "nem devia estar aqui sentada".

Teresa Morais considerou a crítica "perfeitamente descabida e injusta" e defendeu que a Mesa da Assembleia da República "atua com isenção e imparcialidade".

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O debate foi interrompido por um 'bate-boca' entre a presidente da mesa e o líder do Chega, que contou ainda com interpelações da bancada do partido.

O deputado Eurico Brilhante Dias, do PS, acusou os membros do Chega de serem anti-democratas e Inês Sousa Real, do PAN, indicou que a postura de Ventura estaria relacionada com "questões de género", uma vez que quem presidia à mesa era uma mulher. 

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