Presidente da República afirmou que divulgou uma nota a propósito das detenções feitas esta terça-feira.
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O Presidente da República afirmou esta terça-feira que divulgou uma nota a propósito das detenções relacionadas com o caso de Tancos por considerar que "era tão importante", mas recusou falar do tema no estrangeiro.
A Polícia Judiciária deteve hoje militares da Polícia Judiciária Militar e da Guarda Nacional Republicana e um outro suspeito e realizou buscas em vários locais nas zonas da Grande Lisboa, Algarve, Porto e Santarém.
Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado pelos jornalistas sobre estas detenções, à margem da 73.ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque.
Marcelo Rebelo de Sousa recusa falar de Tancos no estrangeiro
"Eu no estrangeiro nunca falo de temas portugueses, mas era tão importante que entendo dever publicar no sítio da Presidência da República, no fundo, uma nota que recordava o que eu penso sobre a matéria, o que eu penso sobre como esclarecer aquilo que está por esclarecer e aquilo que eu disse no dia 10 deste mês", respondeu.
O Presidente da República escusou-se a prestar mais declarações sobre o tema.
Segundo um comunicado da Procuradoria-Geral da República, no inquérito no qual decorreram as detenções de hoje "investigam-se as circunstâncias em que ocorreu o aparecimento, em 18 de outubro de 2017, na região da Chamusca, de material de guerra furtado em Tancos".
Na nota divulgada no portal da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa refere que "insistiu desde o primeiro dia no esclarecimento integral do caso de Tancos" e que reiterou recentemente que esperava desenvolvimentos.
"O Presidente da República relembra que insistiu desde o primeiro dia no esclarecimento integral do caso de Tancos e na importância da investigação criminal; ainda recentemente, a 10 de setembro, reiterou que esperava desenvolvimentos nessa investigação", lê-se na nota.
Em 10 de setembro, o chefe de Estado manifestou "uma forte esperança" de que as conclusões da investigação criminal ao desaparecimento de material militar de Tancos fossem conhecidas dentro "de dias ou de semanas - e não de meses".
"Estamos, penso eu, na ponta final da investigação criminal. E essa investigação criminal irá apurar, certamente, factos e eventuais responsáveis. E eu hoje tenho uma forte esperança que seja uma questão de dias ou de semanas e não de meses, portanto, que estejamos mesmo muito próximos do conhecimento das conclusões da investigação criminal", afirmou, na altura.
O furto de material militar dos paióis de Tancos - instalação entretanto desativada - foi revelado no final de junho de 2017. Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e grande quantidade de munições.
Em 18 de outubro passado, a Polícia Judiciária Militar recuperou, na zona da Chamusca, quase todo o material militar que tinha sido furtado da base de Tancos no final de junho, à exceção das munições de 9 milímetros.
Contudo, entre o material encontrado, num campo aberto na Chamusca, num local a 21 quilómetros da base de Tancos, havia uma caixa com cem explosivos pequenos, de 200 gramas, que não constava da relação inicial do que tinha sido roubado, o que foi desvalorizado pelo Exército e atribuído a falhas no inventário.
Citando partes de acórdãos do Ministério Público relativos à investigação judicial ao furto de Tancos, o jornal Expresso referia, em 14 de julho, que, além das munições de 9 milímetros, há mais material em falta entre o que foi recuperado na Chamusca, como granadas de gás lacrimogéneo, uma granada de mão ofensiva, e cargas lineares de corte.
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