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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Dimensão da educação sexual "mais explícita" na disciplina de Cidadania

Novo diploma implica uma "mudança estrutural no funcionamento da disciplina" que será publicada em Diário da República sexta-feira.

28 de agosto de 2025 às 16:48

O Governo aprovou esta quinta-feira alterações à disciplina de Cidadania, após analisar as sugestões feitas na consulta pública, ficando "mais explicita a dimensão da educação sexual", anunciou o Ministro da Educação.

Fernando Alexandre revelou ainda que as escolas irão receber informações na sexta-feira.

"Foi hoje aprovada em Conselho de Ministros a Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania", afirmou o ministro da Educação, Fernando Alexandre, recordando que este documento assim como o das Aprendizagens Essenciais (AE) de Cidadania e Desenvolvimento receberam mais de 10 mil contributos durante a consulta pública, que terminou em agosto.

A Direção-Geral da Educação (DGE) analisou todos esses contributos, tendo validado 2.280 relativos à Estratégia Nacional e mais de 700 para a Aprendizagens Essenciais, segundo dados avançados pelo ministro durante a conferência de imprensa após a reunião do Conselho de Ministros.

"A parte mais relevante tem a ver com a área da saúde", disse, explicando que representaram 87% das propostas feitas para a estratégia nacional e 71% para as AE e, nesse sentido, nos novos documentos ficará "mais explicita a dimensão da educação sexual" na área da saude.

As outras áreas "que mereceram mais contributos foram as de Literacia Financeira" e a da sustentabilidade, levando a uma revisão dos dois documentos que passam a contar com propostas feitas pela sociedade civil.

O novo diploma implica uma "mudança estrutural no funcionamento da disciplina" que será publicada em Diário da República sexta-feira, dia em que também as escolas recebem uma orientação para a operacionalização da disciplina, que entra em vigor este ano letivo.

A menos de duas semanas do início das aulas, o ministro reconheceu que seria "muito difícil estar totalmente operacional" e, por isso, a tutela vai enviar informações às escolas para que, até ao final do primeiro período, possam aprovar uma "estratégia de escola para a disciplina", que será depois refletida nas turmas.

Cidadania e Desenvolvimento terá agora Aprendizagens Essenciais comuns a todas as escolas, com oito domínios obrigatórios em vez das 17 áreas temáticas que existiam até agora: direitos humanos; democracia e instituições políticas; desenvolvimento sustentável; literacia financeira e empreendedorismo; saúde; media; risco e segurança rodoviária; pluralismo e diversidade cultural são os novos domínios.

As temáticas da sexualidade passaram a estar integradas no domínio da saúde, com várias associações e especialistas a criticar a eliminação de temas relacionados com a sexualidade das aprendizagens centrais.

Além deste diploma, foi também aprovado esta quinta-feira um decreto-lei que permite a abertura de um concurso externo extraordinário para contratar professores para as zonas onde é mais difícil atrair docentes.

No ano passado, a tutela já tinha aberto um concurso semelhante para colocar professores em 234 escolas. Este ano, os docentes poderão ficar a dar aulas nos 259 agrupamentos das dez zonas do país identificadas como sendo as mais problemáticas.

A tutela irá abrir um concurso extraordinário para a colocação de docentes em Quadros de Zona Pedagógica (QZP) situados maioritariamente nas regiões de Lisboa e Setúbal, mas também em agrupamentos do Alentejo e Algarve, sendo esta uma das medidas do diploma que pretende "combater o elevado número de alunos sem professores".

No ano passado ficaram colocados cerca de 1.700 docentes e este ano abrem 1.800 vagas, disse o ministro, sublinhando que o diploma também prevê o apoio à deslocação para professores, atribuído a cerca de 2.800 docentes no passado ano letivo e agora deverá abranger cerca de oito mil.

A diferença justifica-se com o facto de, no ano passado, o apoio destinar-se apenas a quem dava aulas em escolas carenciadas e este ano ser para todos os colocados a mais de 70 quilómetros de casa, recordou o ministro, revelando que o diploma prevê ainda a "flexibilização das horas extraordinárias".

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