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Nuno Melo diz que espera que EUA se "comportem como aliados"

Em causa estão as recentes pressões do Presidente norte-americano Donald Trump para tomar a Gronelândia.

12 de janeiro de 2026 às 18:10

O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, afirmou esta segunda-feira que espera que os Estados Unidos se "comportem como aliados", na sequência das recentes pressões do Presidente norte-americano Donald Trump para tomar a Gronelândia.

"O que se espera dos aliados é que se comportem como aliados e os Estados Unidos são um aliado fundamental na NATO e espero bem que assim possa continuar a ser por muitos e bons anos", disse Nuno Melo à Lusa à margem da cerimónia comemorativa do dia da Academia Militar em Lisboa.

O ministro da Defesa sublinhou que o desejo é de paz, sobretudo na Europa, e que para isso "há que valorizar a NATO e ter palavras que são de união e não palavras que são de rutura". "O facto é que a NATO vence a Guerra Fria não por ser NATO, foi por ser política e operacionalmente forte e por contar com os aliados que tem", adiantou.

  Questionado sobre se Portugal já contactou com aliados da NATO e se poderá integrar as conversações entre países membros da aliança atlântica para eventualmente reforçar o contingente militar na Gronelândia, Nuno Melo preferiu não responder, admitindo apenas que a NATO reúne frequentemente e que "todos os temas podem ser tratados".

O ministro da Defesa fez questão ainda de assinalar os 236 anos da Academia Militar sublinhando a inversão do balanço de entradas e saídas de pessoal nas Forças Armadas. "Temos hoje muitos mais militares a entrarem nas Forças Armadas nos três ramos do que a saírem", disse, defendendo que "quando se investe e se faz o que está certo, os bons resultados também acontecem". "Uma queda persistente de 15 anos ser invertida ao fim de tão pouco tempo, eu acho que é realmente notável e isso deve ser assinalado", afirmou referindo-se ao tempo de mandato do Governo.

A Gronelândia rejeitou hoje "de forma inequívoca" a pretensão dos Estados Unidos de "tomar posse" do território e anunciou que vai intensificar esforços para garantir que a defesa seja assegurada no âmbito da NATO. "Os Estados Unidos reiteraram novamente o desejo de tomar posse da Gronelândia, algo que a coligação governamental não pode aceitar de maneira nenhuma", afirmou o governo num comunicado.

O governo autónomo gronelandês acrescentou que pretende reforçar a integração da defesa do território no quadro da Aliança Atlântica, na sequência do apoio expresso por vários Estados-membros. Berlim também confirmou hoje que a NATO está a discutir um possível fortalecimento da segurança no Ártico. No domingo, Trump reiterou que os EUA vão apoderar-se "de uma forma ou de outra" da Gronelândia, alegando precisar de um "título de propriedade" sobre o território.

No início da semana, o Presidente norte-americano reconheceu que podia ter de escolher entre a preservação da integridade da NATO e o controlo da Gronelândia. As declarações de Trump têm provocado crescente preocupação entre os aliados europeus e reforçado o debate sobre a importância estratégica do Ártico no quadro da segurança euro-atlântica. Trump utilizou a Rússia e a China como argumento para justificar a suposta necessidade de uma anexação da Gronelândia. 

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