Vereação criticou a atribuição de pelouros a Ana Simões Silva, ex-Chega, para ter uma maioria absoluta.
A vereação do PS na Câmara de Lisboa considerou esta quarta-feira que a estabilidade na governação da cidade "não pode justificar a normalização da extrema-direita", criticando a atribuição de pelouros a Ana Simões Silva, ex-Chega, para ter uma maioria absoluta.
"O facto de a vereadora passar a independente não significa que, de um dia para o outro, deixe de partilhar as ideias pelas quais foi eleita. O Chega entra, assim, no governo da cidade pela mão do presidente da Câmara", afirmou a vereadora do PS Alexandra Leitão, numa nota enviada à agência Lusa.
O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), vai passar a governar com maioria absoluta ao delegar competências na vereadora independente Ana Simões Silva, ex-Chega, que vai passar a regime de tempo inteiro, anunciou hoje o município.
Numa nota, a autarquia indicou que o social-democrata convocou uma reunião extraordinária do executivo para sexta-feira para "fixar em oito o número de vereadores em regime de tempo inteiro", de um total de 17 membros da Câmara Municipal de Lisboa, atribuindo "posteriormente" a Ana Simões Silva (doutorada em Medicina Dentária e que se desfiliou do Chega em janeiro) os pelouros da Saúde e do Desperdício Alimentar e competências "no âmbito do grupo de trabalho responsável pelas candidaturas a projetos europeus".
Para a socialista Alexandra Leitão, a decisão de Carlos Moedas de integrar na sua equipa e entregar pelouros a uma vereadora eleita pelo Chega para assegurar uma maioria absoluta "é uma opção política que não deixa margem para dúvidas".
Como principal partido da oposição à liderança PSD/CDS-PP/IL, o PS considera que "são visíveis as aproximações de Moedas a agendas populistas e securitárias" e realça que foi evidente a forma como o Chega "deu a mão a Moedas" no início do atual mandato (2025-2029), inclusive com a aprovação de um regimento que "prejudica o exercício da oposição" e com a viabilização do orçamento municipal para este ano.
"Estão ainda por explicar várias nomeações que, alegadamente, foram usadas como moeda de troca por votos favoráveis e nomeações para empresas municipais", refere Alexandra Leitão.
Na perspetiva do PS, "a estabilidade não pode justificar a normalização da extrema-direita nem a troca de ideias por lugares".
Também com uma posição crítica, a vereação do PCP, representada pelo comunista João Ferreira, indica que desde a primeira hora que o Chega se predispôs a suportar todas as decisões da gestão PSD/CDS-PP/IL (eleita sem maioria absoluta), referindo que há aspetos essenciais em que "se revê e de que não se diferencia".
De acordo com o PCP, esta opção refletiu-se na aprovação da delegação de competências da câmara no seu presidente, na aprovação dos orçamentos e grandes opções do plano do executivo municipal e das empresas municipais, nas nomeações para cargos dirigentes, entre outras decisões relevantes.
"A decisão agora tomada por Carlos Moedas, sendo expectável desde há semanas, assegurará a continuidade do apoio que tem tido à sua gestão e a todas as decisões tomadas", afirma a vereação comunista, numa nota enviada à Lusa.
Por outro lado, a vereação do BE reforça que desde o início deste mandato que Carlos Moedas tem governado com o Chega, referindo que a troco de lugares para o partido de extrema-direita, "Moedas aprovou a lei da rolha à oposição, a duplicação dos rácios do alojamento local face ao que estava previsto na Carta Municipal de Habitação e o orçamento de 2026".
"Carlos Moedas tem vindo a demonstrar uma linha política securitária e preconceituosa e neste momento formaliza o Chega como aliado", defende o BE, sublinhando que, com a atribuição de pelouros à segunda vereadora eleita pelo Chega, Moedas fica com maioria absoluta na câmara, passando a ser "o único responsável por todas as decisões na capital".
Neste âmbito, o BE afirma que manterá o seu escrutínio sobre o mandato e apresentará soluções para os problemas que as pessoas enfrentam, nomeadamente na habitação, transportes, direitos sociais e higiene urbana.
Da vereação do Livre, Carlos Teixeira afirma que quanto mais se reforça a maioria na governação da cidade "mais os lisboetas terão de exigir de Carlos Moedas", considerando que acabou o tempo em que o presidente da câmara "justificava a inação com a ausência de uma maioria estável".
O Livre questiona ainda como é que a IL vê a integração de Ana Simões Silva, "se se sente ou não confortável", sublinhando que, de todo o modo, o que acontecer de agora em diante será da total responsabilidade de Moedas.
O atual executivo municipal de Lisboa tomou posse no dia 11 de novembro de 2025, um mês depois das eleições autárquicas, em que Carlos Moedas foi reeleito, pela coligação PSD/CDS-PP/IL.
Com oito eleitos (incluindo o presidente), a coligação ficou a um mandato de obter a maioria absoluta. Os restantes nove lugares foram ocupados pelo PS (quatro), pelo Chega (dois), pelo Livre (um), pelo BE (um) e pelo PCP (um).
Ana Simões Silva anunciou em 19 de janeiro a decisão de desfiliar-se do Chega, passando a assumir o mandato como independente. Com isso, o Chega ficou reduzido a apenas um vereador, Bruno Mascarenhas.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.