Ana Cristina Dourado foi ouvida a propósito de um requerimento do Chega sobre "as condições de segurança, capacidade e qualidade do serviço ferroviário entre Lisboa e Setúbal".
A administradora da Fertagus admitiu esta terça-feira no parlamento que a empresa opera no limite da capacidade, apontando ao Governo a responsabilidade pelo reforço de comboios necessários para responder ao aumento da procura.
Ana Cristina Dourado foi ouvida esta tarde na comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação da Assembleia da República a propósito de um requerimento do Chega sobre "as condições de segurança, capacidade e qualidade do serviço ferroviário entre Lisboa e Setúbal".
A administradora da Fertagus começou por reconhecer os problemas de desconforto, sobretudo nas horas de ponta, apontados pelos utentes, mas rejeitou falhas de segurança no serviço.
Segundo a responsável, a procura na travessia ferroviária do Tejo cresceu cerca de 50% face a 2018, impulsionada por medidas públicas como a redução do preço dos passes e pelo aumento da população residente na margem sul.
"Reforçámos a manutenção para termos menos problemas em termos de segurança. Poderá dizer isso é pouco. É, é pouco. Mas, é aquilo que a gente pode fazer", afirmou.
Relativamente à operação, Ana Cristina Dourado referiu que são utilizados atualmente 17 dos 18 comboios disponíveis e que a taxa de ocupação nas horas de ponta é de 66%.
"A capacidade operacional da Fertagus é escrupulosamente cumprida. Não cabe à Fertagus decidir sobre o material circulante ou adquiri-lo. O material circulante é, efetivamente, neste momento, a pedra de toque para a solução dos problemas que se estão a viver", defendeu.
A esse propósito, a administradora da Fertagus indicou que a empresa alertou o Estado em 2023 e 2025 para a necessidade de reforço da frota, tendo formalizado o pedido em fevereiro de 2026, aguardando agora uma decisão do Governo.
"Falámos com o Estado, que é quem pode ter comboios, para tentar resolver da forma mais rápida possível, que é o problema do material circulante, de forma a dar cabimento a todas as pessoas que hoje querem andar connosco", insistiu.
Ana Cristina Dourado detalhou ainda que, na sequência de um estudo à procura pedido pelo Governo, a empresa ajustou as frequências, nomeadamente com o reforço de ligações até Setúbal, após uma decisão do executivo, o que implicou uma redistribuição dos comboios disponíveis.
Contudo, a responsável admitiu que a reorganização, embora tenha permitido aumentar a oferta global, teve como consequência uma maior pressão em alguns troços mais próximos de Lisboa, sobretudo nas horas de ponta.
"Trabalhamos para um conjunto de pessoas que não desprezamos. Estamos a trabalhar porque não queremos que as pessoas sejam transportadas assim", assegurou.
Antes de ouvir Ana Cristina Dourado, os deputados ouviram o porta-voz da Comissão de Utentes da Fertagus, que se queixou da sobrelotação e das condições de transporte.
Aristides Teixeira afirmou que a Fertagus destaca-se "pelo pior" e apelou a um reforço "rápido e urgente" da oferta.
Há cerca de um mês, a Comissão Utentes Fertagus enviou uma queixa contra o Estado português por permitir que os passageiros sejam diariamente transportados em condições "fora do padrão europeu" e "com riscos de segurança".
Em 18 de março, numa audição na mesma comissão, a secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias admitiu limitações na capacidade de resposta dos comboios da Fertagus, devido à procura crescente, mas assegurou um reforço do material circulante a partir de 2027.
Cristina Pinto Dias referiu que a Fertagus identificou a necessidade de, pelo menos, cinco carruagens adicionais, explicando que a tutela está a tentar encontrar soluções no mercado europeu, sem muito sucesso.
A Fertagus é responsável pela ligação ferroviária entre as duas margens do Tejo pela Ponte 25 de Abril, entre Lisboa e Setúbal
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