Um dia após receber alta hospitalar, o líder do Chega quis marcar presença no último dia da campanha eleitoral.
André Ventura chega para o último dia de campanha
O presidente do Chega, André Ventura, regressou hoje à campanha eleitoral na última ação, em Lisboa, para fazer um discurso em que realçou a força do partido na sua ausência.
André Ventura chegou à Praça do Município pelas 17:25, poucos minutos depois da comitiva que desceu o Chiado, vestido com um polo branco e com alguns pensos visíveis nas mãos e no braço esquerdo, subindo ao palco para fazer um discurso. Na quinta-feira, a assessoria do Chega indicou aos jornalistas que o líder já não iria marcar presença na campanha, por razões de saúde.
"Foram três dias muito difíceis mas é nestes momentos que nós nos levantamos e percebemos a força que temos para mudar este país. E eu sei que não devia estar aqui hoje, mas eu não conseguia, em consciência, em alma, não conseguia não estar aqui hoje por vocês e não conseguia não estar aqui hoje para conseguirmos cumprir a missão que temos de transformar Portugal", começou por dizer.
O presidente do Chega agradeceu aos membros do partido "o trabalho todo que fizeram", indicando que a sua saúde "é só um pequeno número de percalço face ao objetivo maior de transformar este país".
"A esta equipa que me acompanhou o país todo, aos nossos deputados que foram incansáveis nesta luta, aos nossos distritos, mesmo quando eu já estava a dar sinais de maior debilidade, saíram e lutaram ainda mais e mostrámos a força deste partido. Este partido não é um partido de circunstância nem é um partido de momento, é um partido que não desista até transformar Portugal", salientou, de voz embargada.
Na seu discurso de encerramento da campanha, André Ventura fez também um derradeiro apelo ao voto, repetindo o pedido que foi fazendo ao longo da campanha, "uma oportunidade para governar" porque "os outros falharam consecutivamente".
"A nossa luta tem que ser essa, convencer todos, todos, todos, que o país chegou a uma imundice tal, chegou a uma destruição tal, chegou a uma bandalheira tal, que nós precisamos de uma oportunidade para poder governar. É isso que eu vos peço no próximo dia 18 de maio, no próximo domingo", afirmou.
E apelou "a todos, a todos, a todos, mesmo a todos, para convencerem todos a votar no próximo domingo", mostrando-se convencido de que o Chega vai vencer as próximas eleições legislativas. Na intervenção, de cerca de 13 minutos, o presidente do Chega parou de falar durante alguns segundos, evidenciando dificuldades, mas retomou o discurso, ao mesmo tempo que fazia um gesto para mostrar que estava tudo bem.
André Ventura alegou ainda que enquanto esteve no hospital "houve muitos" que lhe "quiseram mal", mas "houve muitos mais que quiseram bem" e lhe "deram força".
Ventura abandonou o local no final do discurso a chorar, depois de a sua mulher e membros da direção do Chega se terem juntado a ele em cima do palco para cantar o hino nacional. Vários outros dirigentes estavam também visivelmente emocionados e a chorar, como foi o caso da deputada e líder da juventude do partido, Rita Matias.
Nos últimos dias, o presidente do Chega sentiu-se mal duas vezes, tendo sido retirado de duas ações de campanha e assistido no hospital, onde fez exames, depois de ter sentido dores no peito. De acordo com o próprio, foi-lhe diagnosticado um espasmo esofágico.
André Ventura já tinha participado à distância na iniciativa da manhã, em Setúbal, falando com alguns dirigentes por videochamada.
O Chega fez hoje a habitual descida na zona do Chiado, em Lisboa, sem o líder, uma arruada que durou cerca de meia hora, com algumas centenas de apoiantes.
Na Praça do Município estava montado um palco com um ecrã gigante, com uma imagem de Ventura nesta campanha, onde se lê "rumo à vitória". Depois de André Ventura abandonar o local, a animação a cargo do artista Melão.
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