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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

André Ventura considera que decisão do tribunal sobre cartazes do Chega "é um erro profundo"

Tribunal Cível de Lisboa deu razão às seis associações de ciganos e mandou retirar os cartazes políticos do candidato.

22 de dezembro de 2025 às 17:20

O líder do Chega André Ventura considera que a decisão do tribunal de retirar os cartazes sobre a comunidade cigana "é um erro profundo", esta segunda-feira.

O candidato às presidenciais de janeiro, que falava na sede do Chega no Porto, disse que o partido vai estudar a possibilidade de recorrer da decisão e considerou que fez "o correto", sugerindo que a comunidade cigana está em "incumprimento" perante a lei.

"Um dos nossos cartazes diz que têm que cumprir a lei. Eu também tenho. (...) O Chega irá nas próximas horas reunir comigo, enquanto candidato presidencial, e com a nossa equipa jurídica, para analisar os efeitos desta decisão, os seus prazos, e também a possibilidade ou não da interposição de recurso", avançou o candidato, em declaração aos jornalistas.

Para André Ventura, esta trata-se de uma "decisão de força, de intimidação e ameaça".

"Este é um mau dia para a nossa democracia. E é um mau dia para a nossa democracia porque a liberdade não foi assegurada. (...) O cartaz não dizia que os ciganos não cumprem a lei, ou os ciganos que moveram esta ação não cumprem a lei. Dizia que os ciganos têm que cumprir a lei", declarou.

"Esta decisão contraria todos os fundamentos jurídicos em que o País tem assentado nas últimas décadas", disse Ventura.

Segundo o candidato presidencial, a comunidade cigana vai sentir que "pode abusar ainda mais do estado de direito" e o País vai "pagar caro nos próximos anos". "Era bom que o tribunal tivesse noção do precedente que criou", disse ainda.

André Ventura disse que é a primeira vez na história da democracia portuguesa que um tribunal pede a um candidato para retirar cartazes políticos. "Eu próprio e o Chega já fomos alvo de vários cartazes com expressões que não concordávamos, nunca nenhum tribunal pediu para retirar nenhum outdoor", realçou o líder do partido.

O Tribunal Cível de Lisboa deu razão às seis associações de ciganos que instauraram uma ação contra André Ventura para que fossem a retirados os cartazes com a frase "Os ciganos têm de cumprir a lei". A decisão, tomada pela juíza Ana Barão, refere que os cartazes não podem continuar afixados e deu um prazo de 24 horas para serem retirados.  

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