Projetos prevêm a obrigatoriedade de validação médica para a mudança de nome e género no registo civil.
PSD, Chega e CDS-PP aprovaram esta quinta-feira os seus projetos-lei sobre identidade de género, prevendo a obrigatoriedade de validação médica para a mudança de nome e género no registo civil, iniciativas que contaram com votos contra dos restantes partidos.
Os três projetos de lei foram aprovados na generalidade com votos a favor de PSD, Chega e CDS-PP e votos contra de PS, IL, Livre, PCP, BE, PAN e JPP. No final das três votações, ouviram-se palmas da bancada do Chega e "vergonha" da do PS.
Após a aprovação do diploma do Chega, quatro deputados do PSD - bancada que tinha disciplina de voto - anunciaram a entrega de uma declaração de voto escrita, entre os quais Eva Brás Pinho e Paula Cardoso.
No final, vários partidos anunciaram também declarações de voto orais, incluindo o líder parlamentar do PSD.
Nas votações desta quinta-feira participaram 204 dos 230 deputados, faltando, por exemplo, 11 do PSD, 10 do PS e cinco do Chega.
Uma das ausentes na votação foi a vice-presidente da Assembleia da República, Teresa Morais, que saiu antes do plenário antes da votação destes projetos e voltou a entrar a seguir.
O projeto de lei do PSD propõe a revogação da legislação de 2018 e o regresso ao regime de 2011, reintroduzindo a obrigatoriedade de validação médica para a mudança de nome e género no registo civil.
O partido argumenta que a autodeterminação sem validação técnica compromete a segurança jurídica e defende um enquadramento baseado em critérios médicos e científicos.
O projeto do Chega vai no mesmo sentido, de revogação da atual legislação, alterando os procedimentos de mudança de nome e género no registo civil e proibindo tratamentos médicos em casos de disforia de género em jovens com menos de 18 anos, invocando a "proteção das crianças e jovens".
O CDS-PP quer proibir o uso de bloqueadores da puberdade e terapias hormonais em menores com disforia de género, invocando o princípio da precaução e preocupações com impactos na saúde física e psicológica, defendendo que tais decisões devem ser adiadas até à maioridade.
Sobre este assunto, o parlamento rejeitou o projeto de lei do BE que ia em sentido contrário e pretendia reforçar a lei que estabelece o direito à autodeterminação da identidade de género e expressão de género. A iniciativa contou com votos contra de PSD, Chega, CDS-PP e IL, a abstenção do PCP, e votos favoráveis dos restantes partidos.
No final do período de votações, gerou-se uma confusão no plenário que durou mais de 20 minutos, depois de o presidente da Assembleia da República ter anunciado que não poderia haver lugar a declarações de voto orais relativas a projetos aprovados, apenas relativamente aos rejeitados.
Depois de os partidos tentarem associar a declaração de voto ao projeto do BE, o único rejeitado, José Pedro Aguiar-Branco justificou que as declarações de voto orais têm de ser anunciadas no final da votação do respetivo diploma e que, neste caso, tinham sido anunciadas antes.
O Livre apresentou um recurso da decisão para plenário, rejeitado a "lei da rolha" no parlamento, que acabou chumbado com os votos contra de PSD, Chega e CDS-PP e a abstenção da IL, pelo que a decisão do presidente do parlamento se manteve.
Ainda neste período, a deputada Isabel Moreira, do PS, afirmou que apresentaria uma declaração de voto escrita sobre os três de projetos de lei aprovados que "ratificaram o assassinato da [transexual] Gisberta".
Esta declaração motivou um pedido de defesa da honra por parte do líder parlamentar do PSD, que a classificou como "inusitada e ofensiva". Hugo Soares afirmou que a bancada do PSD "vota em consciência" e não leva "lições de moralidade", e acusou o PS de "radicalismo".
Isabel Moreira contrapôs que os deputados do PSD não votaram livremente, uma vez que estavam sujeitos a disciplina de voto e devolveu as acusações de radicalismo aos sociais-democratas por terem aprovado o projeto do Chega.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.