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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

Autocarro resolve espera sem ilusões

Entre promessa e realidade, há uma certeza: Cernache perdeu vida com fim de contrato com colégio.

21 de setembro de 2017 às 08:29

O assunto deste verão em Cernache é o autocarro para Coimbra e não o aeroporto internacional prometido pelo presidente da câmara, Manuel Machado, na sua campanha para a reeleição. O fim do contrato de associação do Estado com o colégio local afundou a atividade da freguesia e pequenotes como David Correia, de 12 anos, ainda sem batismo de voo, têm de apanhar o autocarro para ir à escola na sede do concelho. Entre os adultos domina a ideia que o aeroporto não se concretizará no seu tempo de vida.

"Seria muito bom para a região, mas um gajo não pode viver de ilusões", assevera João Ferreira Veloso, de 59 anos, nascido e criado na região e que há nove anos conduz o seu comércio, a pastelaria-padaria O Moleirinho. Para ele, a redução para metade dos alunos e também dos professores no Colégio da Imaculada Conceição constituiu um golpe duro.

"Cernache morreu um bocadinho", explica. "A freguesia não tem expressão industrial, vivia exclusivamente do colégio. Muitas pessoas que trabalham em Coimbra, vieram aqui comprar casa porque era mais barato e tinham entrada em colégio grátis para as crianças. Era assim há muito tempo. Pessoas da minha idade já beneficiavam desse sistema. Aeroporto? Era bom para a atividade económica, mas não faço a mínima ideia quando se poderá concretizar. Turistas? Temos um Museu dos Moinhos que é uma gota de água no oceano, nem se nota."

Menos cético sobre o aeroporto mostra-se David Correia, aluno da Escola D. Duarte, em Coimbra. "Deve ser coisa para estar pronta quando eu tiver 40 anos", prevê, com o pensamento apontado a um curso superior de farmácia, seguindo os passos do irmão mais velho, que já está na faculdade. Quanto a aviões, apesar da vizinhança, não é frequentador do aeródromo, nem fez ainda o batismo de voo, facilitado em vários eventos locais. "Só lá fui ver um festival aéreo, há uns cinco anos, por altura das Festas da Rainha Santa", recorda.

O pai, Joaquim Correia, de 48 anos, natural de São João da Pesqueira, funcionário administrativo no Hospital Universitário de Coimbra e há dez anos a residir em Cernache, após outros 11 na vizinha Condeixa, marca distância em relação a um aeroporto: "Já ouvi falar qualquer coisa e penso que podia mexer com a economia da região, tudo dependendo da utilização que tiver. O que não acredito é que seja no meu tempo de vida", acentua, antes de voltar ao assunto deste verão:

"O fim do contrato de associação do colégio complicou-nos a vida. Deixou de haver escola grátis e não tenho posses para pagar 300 euros de mensalidade.

O meu filho tem de apanhar o autocarro que vem de Condeixa para Coimbra para ir à escola e Cernache ficou uma localidade ainda mais inativa."

"Não será no meu tempo de vida"

Sobre o negócio, fala com calma: "Muita clientela já a trouxe comigo do Campo de Tiro, onde estive antes. Os melhores dias são com Cozido à Portuguesa (4.ª feira), Sopa da Pedra (5.ª) e Cabrito à Padeiro, no fim de semana."

Ao aeródromo, ainda há pouco tempo chegou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, mas no restaurante nunca viu Manuel Machado, presidente da câmara da promessa do aeroporto internacional. Entre os festivais aéreos, salienta a reunião de pilotos de toda a Europa numa iniciativa que proporciona a experiência de voo a crianças deficientes.

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