Mariana Mortágua acusou ainda Carlos Costa, PS e PSD de estarem a lavar "roupa suja".
O BE defendeu esta quarta-feira que da resposta do primeiro-ministro ao parlamento "subentende-se uma tentativa de proteger" Isabel dos Santos "e o seu papel no Eurobic", acusando Carlos Costa, PS e PSD de estarem a lavar "roupa suja".
"Devemos dizer que das palavras do primeiro-ministro e das respostas que deu, subentende-se que houve uma tentativa de proteger o papel de Isabel dos Santos, filha do Presidente de Angola, e o seu papel no Eurobic", considerou a bloquista Mariana Mortágua, em conferência de imprensa no parlamento.
Na opinião do BE, "esta proteção, que acabou por não ter qualquer consequência, a verificar-se, é obvio que é uma situação grave e configura uma subalternização do Estado português aos interesses da elite angolana".
"Aquilo que eu gostaria de destacar é que esta posição do regime português de subalternização aos interesses da elite angolana não aconteceu apenas no mandato e no PS de António Costa. Ela foi a regra do Banco de Portugal, a regra do PSD e a regra do PS ao longo dos últimos 20 anos", salientou.
A deputada bloquista deu vários exemplos, dizendo que "foi o Banco de Portugal que autorizou a entrada de Isabel dos Santos no Eurobic em 2014, quando já se sabia que a fortuna da filha do presidente [de Angola] era uma fortuna roubada ao povo angolano, e muitos outros países europeus travaram os capitais angolanos".
"Foi o Banco de Portugal que permitiu que o BNI Angola se instalasse em Portugal apesar de ter acionistas escondidos, como o caso do construtor José Guilherme e de ter outros acionistas, como o filho do presidente do BNA, o Banco Nacional de Angola", acrescentou.
Mariana Mortágua salientou também que "foi o ministro do PSD Rui Machete que pediu desculpas a Manuel Vicente, vice-presidente de Angola, por estar a ser investigado em Portugal por lavagem de dinheiro".
"Foi Carlos César, o presidente do PS, que foi ao congresso do MPLA em 2016 agradecer o contributo da elite angolana para a economia portuguesa", acrescentou.
Para a deputada bloquista, o que se deve concluir "com alguma serenidade, é que o que se passa entre o antigo governador do Banco de Portugal [Carlos Costa], o Grupo Parlamentar do PS e do PSD não é uma preocupação com a lavagem de dinheiro angolano em Portugal, é uma lavagem de roupa suja".
"É uma vingança entre instituições que tem a ver com o passado e que nada tem a ver com o papel da elite angolana em Portugal", acusou.
Para a deputada, o país assiste "infelizmente ao facto de Portugal continuar a ser usado para lavar dinheiro, desta vez pela oligarquia russa, sem que isso desperte o interesse nem do Banco de Portugal, nem do PSD, nem do PS".
O PS vai requerer ao Banco de Portugal "toda a documentação e informação" que justificaram a intervenção do ex-governador Carlos Costa no processo Eurobic/BPI, anunciou esta quarta-feira o líder parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias.
Também quarta-feira, o líder parlamentar do PSD considerou que o primeiro-ministro confirmou, nas respostas ao partido, que "interferiu junto do Banco de Portugal" quer no caso que envolve Isabel dos Santos quer no processo de resolução do Banif.
Joaquim Miranda Sarmento admitiu que o partido poderá dar "uma segunda oportunidade" e repetir questões ao primeiro-ministro ou colocar novas sobre uma eventual interferência no Banco de Portugal, antes de ponderar um inquérito parlamentar.
António Costa enviou na terça-feira ao parlamento a resposta às perguntas que lhe foram colocadas pelo PSD em 23 de novembro passado, depois de o ex-governador do Banco de Portugal Carlos Costa o ter acusado de pressão e de "intromissões políticas" no processo de afastamento da empresária Isabel dos Santos do BIC.
Nas respostas enviadas ao parlamento, o primeiro-ministro afirma que nunca fez junto do Banco de Portugal "ou de quem quer que seja" diligências em favor da idoneidade de Isabel dos Santos e apenas atuou para procurar resolver o bloqueio acionista no BPI.
Já às questões sobre o Banif, António Costa refere que o Banco de Portugal em dezembro de 2015, liderado por Carlos Costa, concluiu que a venda do Banif por resolução ao Santander era a única alternativa à liquidação, e conduziu o processo.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.