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Mariana Mortágua considerou ainda que "o Estado vai pagar três vezes pelo Novo Banco e no caminho dá lucro à Lone Star".
O BE vai pedir a audição do ministro das Finanças no parlamento para esclarecer as suas intenções para a Caixa Geral de Depósitos, por considerar importante a transparência e escrutínio das decisões do Governo.
A decisão foi anunciada pela coordenadora do partido, Mariana Mortágua, em declarações aos jornalistas no parlamento, na sequência de uma notícia desta sexta-feira do Jornal Económico de que o Governo estaria interessado em que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) avance com a compra do Novo Banco e que o banco público já destacou uma equipa interna para estudar essa possibilidade.
Sobre essa hipótese, o ministro das Finanças reiterou esta sexta-feira que o executivo "respeita a autonomia de gestão da Caixa Geral de Depósitos" e não se imiscui nas decisões do banco "de avaliação de condições de mercado relativamente a concorrentes".
Mariana Mortágua deixou críticas ao processo de privatização do Novo Banco, argumentando que o "Estado limpou o BES", entregou-o "de mão beijada" à Lone Star, voltou a "pagar milhares de milhões de euros para limpar o banco já nas mãos da Lone Star e agora vai recomprar o banco à Lone Star".
"Ou seja, o Estado vai pagar três vezes pelo Novo Banco, pela limpeza do Novo banco. E no caminho dá um lucro à Lone Star se a Caixa Geral de Depósitos acabar por comprar o Novo Banco", acrescentou.
A líder do BE defendeu ainda a importância de garantir que o Governo não cede ao que disse ser uma "tentação" do passado, e não avança com uma privatização, total ou parcial, da Caixa Geral de Depósitos "à boleia desta intenção de comprar o Novo Banco".
Mortágua disse que "não há nenhuma garantia de que o Governo não tenha essa intenção" e sublinhou a necessidade de "esclarecer todas estas intenções e o que pretende fazer o Governo com o Novo Banco", bem como quais foram as instruções dadas à Caixa pelo executivo.
"É muito importante que as decisões sobre a Caixa Geral de Depósitos, que é um banco tão importante no sistema bancário, o único que se mantém em mãos nacionais porque é público, possam ser protegidas (...) transparentes e escrutinadas", defendeu.
A bloquista acrescentou ainda que, apesar de ver algumas contradições entre o discurso do Governo e uma suposta intenção de comprar o Novo Banco, não se opõe a essa operação, frisando até que "desde há muito tempo que o BE defende que a CGD pudesse ter ficado com o Novo Banco para absorver a parte do negócio dirigido às empresas".
"Surpreendentemente, eu concordo com o Governo. (...) Se não for a CGD a ficar com o Novo Banco, a concentração de mercado que vamos ter vai ser nas mãos de um grupo estrangeiro, já existente em Portugal, e os grupos que dominam a banca em Portugal têm duas origens: espanhola e angolana. E é para estes grupos que vai o Novo Banco", concluiu.
A coordenadora do BE pediu também uma audição parlamentar da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), a propósito de uma reportagem divulgada ontem pela SIC e o Expresso, que dá conta de que o banqueiro angolano Álvaro Sobrinho era um dos rostos por trás do World Opportunity Fund, o fundo que foi o maior acionista da Global Media Group.
O partido propõe que a idoneidade dos acionistas seja verificada antes de adquirirem uma participação num grupo de comunicação social e explica que quer ouvir a ERC "sobre as dificuldades que teve em encontrar acionistas da Global Media".
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