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BPN deu crédito a Aprígio Santos

A deputada socialista Leonor Coutinho revelou ontem na Comissão de Inquérito Parlamentar ao caso BPN que Aprígio Santos, presidente da Naval, tem operações de crédito incobráveis cedidas pelo BPN no valor de 8,5 milhões de euros. Confrontado com estas afirmações, Teófilo Carreira, antigo director comercial com responsabilidades na Região Centro do País e ex-administrador do BPN, admitiu conhecer Aprígio Santos, mas sublinhou que não tinha ideia de que fosse um cliente incobrável. "Tinha-o como um empresário de algum sucesso no ramo imobiliário", afirmou.<br/><br/>

05 de março de 2009 às 00:30

Leonor Coutinho confrontou também o ex-administrador com a cedência de um crédito a José Serpa, que "valorizou um terreno em dez milhões" e que originou "um prejuízo de 2,5 milhões de euros na revenda desse mesmo terreno a Aprígio Santos." Teófilo Carreira garantiu que não tinha conhecimento dos alegados créditos incobráveis.

O ex-gestor do BPN revelou ainda, após ser questionado por Nuno Melo, ter ordenado a suspensão das chamadas contas-investimento, que originaram um prejuízo de cerca de dez milhões de euros.

O deputado do CDS-PP confrontou o ex-gestor do BPN com uma offshore chamada ‘Jared’, parqueada no Banco Insular, que serviria de fundo para financiar a remuneração das contas de investimento. Teófilo Carreira garante que "não sabia onde iam buscar o dinheiro nem como pagavam essa taxa de juro aos clientes."

FUNDO FECHADO COMPRA TERRENOS DO IPO EM OEIRAS

Teófilo Carreira, ex-administrador do BPN, admitiu ontem na Comissão de Inquérito ao BPN que Oliveira e Costa o abordou para que fosse apresentada uma proposta de criação de um fundo fechado para a compra de terrenos em Oeiras, onde seria instalado o Instituto Português de Oncologia (IPO).

O ex-gestor diz que desaconselhou a Oliveira e Costa a operação e admitiu que a mesma foi autorizada mais tarde através do private bank. "As operações de private não eram discutidas nem aprovadas no conselho de administração. Essa operação chamou-se ‘Operação Homeland’." António Franco, ex-gestor do BPN, já disse que foi este caso que motivou a sua demissão.

PORMENORES

ASSINATURA DE CONTAS

O antigo administrador para a área comercial do BPN Teófilo Cádima Carreira afirmou ontem que em Junho de 2008 se recusou a assinar as contas consolidadas porque não relevavam 400 milhões de euros no BPN Cayman e BPN IFI.

ASSUNTO ENCERRADO

O Banco Insular (BI) é um assunto encerrado para as autoridades bancárias cabo-verdianas, disse ontem o governador do Banco de Cabo Verde (BCV).

RENTABILIDADE

As contas-investimento no BPN tinham uma rentabilidade garantida, segundo refere um documento interno da Sociedade Lusa de Valores (SLN). Essas contas tinham uma remuneração superior à rentabilidade real obtida com a aplicação financeira do dinheiro desses clientes. Em 2008, a taxa de juro foi de sete por cento.

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