Eurico Brilhante Dias considerou que a "coligação com o Chega foi o elemento mais estrutural desta sessão legislativa".
O líder parlamentar do PS defendeu esta segunda-feira que a direita, sempre que chegou ao poder, "governou mal", considerando que a AD em muitos temas "pensa como o Chega", com quem quis resolver "todos os problemas".
No discurso do jantar das jornadas parlamentares do PS, que decorrem até terça-feira na Área Metropolitana de Lisboa, Eurico Brilhante Dias considerou que a "coligação com o Chega foi o elemento mais estrutural desta sessão legislativa".
"Foi com o Chega que quiseram resolver todos os problemas. (...) A direita, a AD, pensa em muitos assuntos como o Chega e é por isso que é mais fácil ter entendimentos com a extrema-direita", afirmou, dando como exemplos as tentativas do Governo de negociar a PSU ou a reforma laboral com o partido de André Ventura.
Sobre o acordo que entretanto o PS alcançou para a PSU (Prestação Social Única), o líder parlamentar socialista considerou que este honrou aos valores do partido.
"A PSU é hoje um instrumento de combate à pobreza e não de combate aos pobres porque o Partido Socialista teve uma intervenção", defendeu.
Sobre o que o PS vai ouvindo, "quando já não sobram argumentos", de que foi o "partido que mais tempo teve no poder nos últimos 20 anos", Eurico Brilhante Dias disse que "é factualmente verdade".
"Mas se o PS teve mais tempo no Governo nos últimos 20 anos foi porque sempre que a direita teve a oportunidade de governar, governou mal. E isso tem que ser dito de forma clara. A direita governou mal", acusou.
Na perspetiva do dirigente do PS, a direita "governou mal com Durão Barroso depois dos seis anos de António Guterres".
"Governou muito mal depois do governo liderado pelo engenheiro José Sócrates em que tivemos a nossa primeira maioria absoluta. Os portugueses sofreram não apenas a austeridade inerente da situação particularmente difícil que vivia a Europa, os portugueses sofreram pelo viés ideológico que a direita naquele momento teve, infligindo aos portugueses uma austeridade inaudita", criticou, numa referência ao executivo de Pedro Passos Coelho.
Segundo Eurico Brilhante Dias, PSD e CDS-PP "governam mal também com Luís Montenegro" porque os pressupostos "são precisamente os mesmos" do tempo de Passos Coelho.
"Luís Montenegro governa mal e é por isso que hoje os portugueses percebem que essa governação está a levar o país para um beco sem saída", avisou.
Na análise do socialista, "a direita não pensa como o PS" mas sim "numa sociedade de desigualdade".
"E é por isso que não compreende que a intervenção do Partido Socialista na contrarreforma laboral ou na PSU tenha sido uma intervenção que não é para que fique tudo na mesma, é para que aqueles que são mais frágeis possam ter igualdade de oportunidades e possam lutar por uma vida melhor", enfatizou.
Antes desta intervenção foi feito um balanço da sessão legislativa através de um vídeo com os deputados, segundo o qual o PS apresentou 200 iniciativas, entre projetos de lei e de resolução, tendo das 100 que estão concluídas, 66 sido aprovadas e as restantes rejeitadas.
A última intervenção foi do líder do PS, José Luís Carneiro, que disse que ia fazer uma intervenção "mais pessoal", deixando para o encerramento de terça-feira das jornadas uma "intervenção de natureza mais política".
"Temos tido algumas boas notícias nos últimos tempos, julgo que amanhã aparecerá mais uma boa notícia por aquilo que me dizem, mas essas boas notícias passageiras não podem fazer com que nos esqueçamos do mais importante. E o mais importante é sentirmos, cada uma e cada uma, que temos uma representação que nos foi confiada, que nos foi delegada momentaneamente. Digo-vos isto para vos dizer que é um privilégio sermos deputados da Assembleia da República e sei bem da alegria que temos todos quando conseguimos alcançar propósitos de serviço aos outros nesta representação política", considerou.
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