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Homem transexual dá à luz primeira bebé na rede pública do estado de Praíba no Brasil

Gravidez foi classificada como de alto risco no primeiro mês, depois de Daniel ter sido diagnosticado com uma alteração sanguínea comum nos gestantes. "Foi um parto cercado de amor e respeito", afirmou.

29 de junho de 2026 às 23:17

Lara é a primeira bebé concebida por um homem transexual a ser seguido no sistema de saúde público do Estado brasileiro de Praíba. A gravidez foi classificada como de alto risco no primeiro mês, depois de Daniel Valentim ter sido diagnosticado com uma alteração sanguínea comum em gestantes, mas um acompanhamento rigoroso permitiu que levasse a gravidez até ao fim. 

Daniel e Gisele Castro, uma mulher transexual, conheceram-se há quatro anos, tendo o desejo comum de ter um filho vindo à tona em 2023. A gravidez acabou por surgir no final de 2025. Para um casal transexual tentar engravidar são necessários alguns tratamentos, nomeadamente hormonais, como explicou Gisele ao G1. Durante o tratamento, "as caraterísticas masculinas e femininas voltam aos nossos corpos, o que causa um desconforto", explica Gisele. No caso dos homens transexuais, para planear uma gravidez a recomendação médica é, geralmente, interromper a terapia com testosterona sob acompanhamento clínico, permitindo o eventual regresso da ovulação e da fertilidade, como explica um artigo publicado na Canadian Medical Association Journal.

O casal recebia assistência na unidade hospitalar de Campina Grande, no Brasil, responsável pelo acompanhamento de pessoas transexuais. Apesar de este acompanhamento permanente, Daniel sentiu sempre "desconforto e medo do preconceito" por ser o primeiro homem transexual naquela unidade de saúde, confessou em entrevista ao G1. Foi esta insegurança que levou a que o casal procurasse um outro hospital: o Hospital da Mulher, que também integra a rede pública de saúde brasileira, com equipas que lidam regularmente com pessoas transexuais. Depois de conseguida a vaga, o casal transferiu o acompanhamento da gravidez ao oitavo mês. 

"Sentia que ali [Hospital da Mulher] era o lugar ideal para o parto", referiu Daniel ao G1, referindo o "carinho dos profissionais, o acolhimento e a segurança com a qual todo o procedimento foi conduzido". "Foi um parto cercado de amor e respeito", afirmou. 

O casal revela que a família de ambos se mostrou "muito feliz" com o nascimento da filha e que sempre tiveram um "grande apoio" por parte da rede familiar. 

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