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Para a maioria que lidera a Câmara, esta é uma decisão "é justificada não só por critérios científicos.
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A Câmara do Porto aprovou esta segunda-feira uma proposta que recomenda ao Governo e à task-force do Plano de Vacinação que as pessoas com deficiência e os seus cuidadores sejam considerados prioritários e incluídos na fase atual.
A proposta, apresentada e assinada pelo movimento "Rui Moreira: Porto, o Nosso Partido", refere que devem ser consideradas como prioritárias pessoas com autismo, deficiência mental, paralisia cerebral e outras deficiências incapacitantes, com, pelo menos, mais de 16 anos, desde que tenham associadas outras patologias (doenças respiratórias, insuficiência cardíaca, doença coronária, diabetes, hipertensão arterial, obesidade) ou tenham graves problemas de comunicação e ao nível da autonomia pessoal.
Para a maioria que lidera a Câmara, esta é uma decisão "é justificada não só por critérios científicos, mas também por critérios éticos de equidade e respeito pelos mais vulneráveis".
Aprovada por unanimidade, a proposta acabou por não reunir consenso, tendo levado mesmo o vereador do PSD, Álvaro Almeida, a abandonar a sala, recusando-se a participar na votação.
Álvaro Almeida considera que a matéria em causa é de âmbito nacional, não cabendo à autarquia pronunciar-se.
"Esta questão não tem nada de ver com o Porto ou a região, é uma recomendação sobre algo que é nacional e parece-me, em primeiro lugar, que não é da competência da Câmara do Porto", disse.
O social-democrata considera ainda que a proposta não está devidamente fundamentada e contém "erros", nomeadamente quando se dirige ao Governo que não tem funções na definição das prioridades.
"Dizer à comissão Técnica de Vacinação: vocês estão errados. Não me sinto confortável para fazer uma recomendação desse género", observou, acrescentando que não está em causa a situação com as pessoas com deficiência.
Álvaro Almeida lembrou ainda que o número de vacinas é limitado, questionando quem teria de ser retirado da lista das prioridades para que fosse incluído mais este grupo de cidadãos.
Em resposta ao vereador, Rui Moreira salientou que a vacinação é uma matéria que muito tem preocupado a autarquia, e que, considera, não deixa de ter uma "componente política".
"À técnica e à ciência o que é da técnica e da ciência, e à política o que é da política", rematou.
Entendendo a proposta como uma chamada de atenção, o vereador do PS Manuel Pizarro, recordou que, nesta matéria, a autarquia não tem sido coerente, por exemplo, quando extinguiu o provedor para a deficiência.
Também a vereadora da CDU, Ilda Figueiredo considera importante esta chamada de atenção perante um "grupo especialmente vulnerável" e que sofre de discriminação.
"Chamar atenção para esta situação é importante, seja no caso das vacinas, dos acessos ou da habitação", disse.
Na atual fase de vacinação, a primeira na comunidade, abrange pessoas com mais de 80 anos ou com mais de 50 anos e patologias associadas.
Em Portugal, morreram 16.565 pessoas dos 810.459 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.
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