Processo da correção dos exames nacionais tem estado envolto em polémica e denúncias de falhas do sistema informático e já levou o Governo a mexer no calendário e adiar as datas de afixação das notas e da segunda fase.
O secretário-geral do PS exigiu este sábado explicações sobre os exames nacionais a Luís Montenegro, que considerou "estar a trabalhar para ser um dos piores primeiros-ministros desde o 25 de Abril", admitindo uma Comissão Parlamentar de Inquérito.
"Quero neste momento pedir responsabilidades ao primeiro-ministro. O primeiro-ministro não pode continuar a desvalorizar aquilo que é um assunto muito grave para milhares de pessoas. Neste momento, há professores de Matemática que recebem provas de Português, professores de Português que recebem provas de Matemática. E ontem mesmo tivemos conhecimento de que foram dadas instruções aos classificadores para que mesmo que as provas não estejam completas elas sejam classificadas. Isto significa uma fraude ao processo de avaliação", denunciou José Luís Carneiro.
À chegada a Vieira do Minho, distrito de Braga, para participar no XXII Congresso Federativo do partido, o líder do PS foi também questionado pelos jornalistas sobre a medida este sábado anunciada pelo PSD de que os professores vão receber horas extraordinárias como "reconhecimento pelo esforço extraordinário" na correção dos exames.
"Estou a chamar o primeiro-ministro para explicar como é que vai garantir a fiabilidade do processo. Os professores não estão à venda. Como é que vai garantir a fiabilidade e a confiabilidade deste processo. Porque o que se passa é demasiadamente grave e todos os portugueses têm de ter consciência disto. Lamentavelmente o primeiro-ministro mostra, mais uma vez, insensibilidade", defendeu o secretário-geral do PS.
O processo da correção dos exames nacionais tem estado envolto em polémica e denúncias de falhas do sistema informático e já levou o Governo a mexer no calendário e adiar as datas de afixação das notas e da segunda fase.
Caso falhem ou faltem as explicações de Luís Montenegro sobre este processo, Carneiro abre a porta à realização de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.
"Não podemos deixar de parte a hipótese de uma Comissão de Inquérito, porque as circunstâncias são demasiadamente graves, particularmente para milhares de famílias, milhares de alunos, que andaram doze anos a preparar as suas candidaturas e o seu futuro percurso profissional", revelou o líder socialista.
José Luís Carneiro lembrou que Luís Montenegro esteve no Mundial de futebol "quando o país estava em situação de alerta, ou seja, quando a vida das pessoas está em risco".
"O primeiro-ministro regressa do [Mundial de] futebol e temos as famílias a viver momentos de profunda angústia, e vemo-lo a responder a uma matéria desta natureza num festival de música. Mostra tudo sobre a insensibilidade de alguém que, do meu ponto de vista, está a trabalhar para ser um dos piores primeiros-ministros desde o 25 de Abril até hoje", afirmou.
O secretário-geral do PS exigiu ao primeiro-ministro "que meta a mão na consciência para ter consciência do que se está a passar com as famílias, com os professores, com as escolas e com os diretores das escolas".
"Do que estamos a falar é de um assunto de uma grande gravidade para milhares e milhares de professores, de pais e de alunos. E o meu dever, como pai, é mesmo de me concentrar, neste momento, naquilo que diz respeito à vida de milhares e milhares de alunos e de professores deste país", salientou.
O Governo prometeu apresentar a 17 de julho as classificações dos alunos, mas, garante José Luís Carneiro, que "ficarão muitos assuntos por resolver, nomeadamente a viabilidade das candidaturas de muitos alunos ao ensino superior".
O líder do PS entende que existe "uma crise de confiabilidade no modelo de avaliação e na classificação que foi feita pelo Governo e do falhanço que resulta" da sua atuação, acusando o executivo liderado por Luís Montenegro de estar "a varrer o lixo para debaixo do tapete".
"Porque mesmo que no dia 17 sejam apresentadas as classificações dos alunos, do que estamos a falar é da possibilidade, muito forte, de haver milhares de alunos a pedir revisão de provas. Agora imaginem que pedem a revisão das provas e não aparecem as folhas todas dos exames. Têm consciência da gravidade do que se está aqui a passar?", questionou.
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