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Francisco Gomes considerou que o executivo liderado por Miguel Albuquerque "transpira a arrogância, amiguismo, soberba e a miséria de uma autonomia traída".
O Chega defendeu esta sexta-feira que é tempo de abrir "uma nova fase na autonomia" dos Açores e da Madeira, considerando que ao fim de 50 anos ainda "persistem sinais preocupantes de dependência económica e administrativa".
Francisco Gomes e Ana Martins, eleitos do Chega pelos Açores e Madeira, respetivamente, discursavam esta sexta-feira na sessão plenária comemorativa dos 50 anos da autonomia das Regiões Autónomas.
"É contra que abrimos uma nova fase na autonomia. Contra quem quer nivelar por baixo, contra quem quer incompetência, contra quem cala a mudança, contra quem ousa querer os madeirenses conformados, vedados, dependentes, submissos", afirmou Francisco Gomes.
O deputado do Chega defendeu que a "autonomia não é de nenhum governo, não é de nenhum partido, a autonomia não tem tutelas", é do povo madeirense.
O dirigente criticou o Governo Regional da Madeira, afirmando que a autonomia "não se faz com um governo que voltou as costas ao povo e que sobrevive do controlo que faz da comunicação social e das empresas que salivam o orçamento regional, um governo que criou uma terra onde 20% vivem na pobreza, mas onde vivem seis dos políticos mais ricos de Portugal", que "dá 190 milhões de euros em borlas fiscais" ou "só no Funchal pôs quase 100 [pessoas] a dormir nas ruas".
Francisco Gomes considerou ainda que o executivo liderado por Miguel Albuquerque "transpira a arrogância, amiguismo, soberba e a miséria de uma autonomia traída".
Sem nomear diretamente partidos ou pessoas, Francisco Gomes criticou igualmente aqueles que "enchem a boca com a autonomia no Funchal, mas traem a autonomia em Lisboa" e aqueles que "dizem que são a voz das ilhas no Funchal, mas deitam-se com o comunismo em Lisboa".
O deputado prometeu ainda "fazer melhor, escolher melhor, decidir melhor" em nome dos "madeirenses anónimos".
Francisco Gomes deixou ainda uma palavra de solidariedade ao povo venezuelano e aos lusodescendentes, "a maioria dos quais oriundos da região autónoma da Madeira", pelo "momento tão, tão difícil" que atravessam depois do sismos que atingiram o país.
Ana Martins, eleita do Chega pelos Açores, começou por afirmar que a autonomia foi "um dos mais importantes avanços democráticos" da História e "uma conquista" para os açorianos.
No entanto, a parlamentar defendeu que "celebrar a autonomia não significa fechar os olhos aos problemas que persistem" e considerou que "os açorianos viveram entre dois mundos, o mundo do centralismo de Lisboa e o mundo do centralismo burocrático de Bruxelas".
"Assistimos a sucessivos conflitos em torno da lei das finanças regionais, assistimos a limitações da capacidade fiscal da região, assistimos a um cargo de representação da República meramente protocolar e burocrático, assistimos a decisões sobre transportes, mobilidade, pesca, agricultura e investimento público tomadas sem a devida consideração pelas singularidades e ultraperiféricas dos Açores", criticou.
A deputada do Chega responsabilizou também os sucessivos governos regionais dos Açores, criticando o "conformismo, a dependência de uma economia de Estado e a incapacidade de resolver problemas estruturais que continuem a afetar os açorianos".
Ana Martins disse que atualmente "persistem as fragilidades nos transportes e na conectividade, os constrangimentos no desenvolvimento económico, os desafios demográficos que ameaçam algumas ilhas, as desigualdades entre ilhas que não podem ser ignoradas e persistem sinais preocupantes de dependência económica e administrativa que não correspondem ao espírito original da autonomia".
"Celebrar os 50 anos da autonomia é honrar o passado, mas é, sobretudo, assumir um compromisso com o futuro, um futuro em que a autonomia deixe de ser apenas um princípio constitucional e se transforme numa verdadeira capacidade de decidir, de desenvolver e de prosperar. Esse é o desafio dos próximos anos e esse é o desafio que não podemos continuar a adiar", defendeu.
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