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Chega, IL e CDU rejeitam limitar liberdade de expressão. PAN pede "linha vermelha" em relação ao discurso de ódio

Cabeça de lista do Chega defendeu que "liberdade de expressão não pode ter limites, não há cá linhas, ou há ou não há".

20 de maio de 2024 às 23:47

Chega, IL e CDU rejeitaram esta segunda-feira a imposição de limites à liberdade de expressão, divergindo nas soluções para combater a desinformação, e o PAN defendeu a necessidade de uma "linha vermelha" em relação ao discurso de ódio.

Os cabeças de lista do Chega, Iniciativa Liberal, CDU (coligação que junta PCP e PEV) e PAN defrontaram-se esta segunda-feira no quarto debate televisivo antes das eleições europeias de 09 de junho, transmitido na SIC e SIC Notícias.

O combate da liberdade de expressão e o combate à desinformação foi um dos temas abordados, com o candidato do PAN a defender o investimento em "inovação e tecnologia", incluindo o recurso a inteligência artificial, para "descobrir, acompanhar e travar toda esta desinformação, muita dela criada pela extrema-direita".

Questionado como é possível garantir o equilíbrio entre liberdade de expressão e o combate à desinformação, Pedro Fidalgo Marques considerou que "tem de haver uma linha vermelha no discurso de ódio, porque o discurso de ódio mata".

"Temos de garantir que não se propaguem discursos de ódio, discursos de discriminação, discursos que põem minorias, pessoas, setores, o que for, para trás e de lado", concretizou.

O cabeça de lista do Chega defendeu que "liberdade de expressão não pode ter limites, não há cá linhas, ou há ou não há".

António Tânger Corrêa queixou-se de que o discurso do Chega é encarado como "mau, tem de ser atacado, ostracizado", criticou quem queira pôr linhas vermelhas e considerou que esta atitude constitui "um discurso de ódio".

Apontando que "as maiorias não podem ser postas em causa pelas minorias", o candidato afirmou que as "minorias estão a tomar conta do discurso político e da narrativa social" com as "agendas 'woke' e outro tipo de radicalismos que são nocivos para evolução das democracias".

Pela IL, João Cotrim de Figueiredo alertou que se pode "cair no risco de, a propósito do combate à desinformação, limitar a expressão das pessoas".

O candidato liberal considerou que a solução passa por "apostar muito mais fortemente no discurso aberto sobre o que é informação que circula, no 'fact checking' [verificação de factos], que tem tido um papel crucial em desmascarar desinformação e na tecnologia".

O cabeça de lista da CDU defendeu que o combate à desinformação e às notícias falsas passa pelo "aprofundamento da democracia" e capacitar os cidadãos "para serem pessoas de corpo inteiro e críticos, capazes de refletir sobre o mundo que têm à volta, e rejeitou "a censura, a limitação de direitos individuais e direitos sociais".

"Mesmo a solução do 'fact checking' não resolve grande coisa, é uma secretaria de Estado da verdade", criticou João Oliveira.

Neste debate, os candidatos mostraram as suas visões também em relação à Defesa e à guerra na Ucrânia.

O cabeça de lista da CDU considerou que o "mundo já gasta dinheiro a mais em armas, era preciso era gastar mais dinheiro em paz" e que "desviar recursos para a indústria de defesa" é "acentuar os perigos da guerra".

Questionado se a Rússia vencer a guerra constitui uma ameaça para Europa, respondeu: "Acredito tanto nos planos da Rússia para controlar a Europa como acredito nas armas de destruição massiva do Iraque, isso é um discurso para alimentar a guerra".

João Cotrim de Figueiredo classificou esta visão como "lírica e irresponsável".

"Enquanto houver no espaço europeu e mundial tiranos e tiranetes, imperialistas, agressivos, sanguinários, disponíveis a sacrificar o seu povo e o dos outros para missões pessoais, o mundo democrático e livre tem obrigação de se defender", salientou o candidato da IL.

António Tânger Corrêa afirmou que o "Chega nunca foi pró-Rússia", apesar de integrar uma família política europeia composta por vários partidos que o são, e indicou primeiro que o posicionamento do partido "à partida" será de apoio à Ucrânia, garantindo mais à frente que "podem contar com o Chega para defender a Ucrânia de corpo inteiro".

Pelo PAN, Pedro Fidalgo Marques defendeu que a Europa deve estar preparada, apoiar a Ucrânia e que devem existir "forças de intervenção rápida multinacionais", rejeitando um exército único europeu.

O cabeça de lista propôs também uma "contribuição extraordinária sobre os lucros excessivos da indústria de defesa que permita dar apoio humanitário e ambiental" àquele país.

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