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Cabeça de lista do Chega defendeu que "liberdade de expressão não pode ter limites, não há cá linhas, ou há ou não há".
Chega, IL e CDU rejeitaram esta segunda-feira a imposição de limites à liberdade de expressão, divergindo nas soluções para combater a desinformação, e o PAN defendeu a necessidade de uma "linha vermelha" em relação ao discurso de ódio.
Os cabeças de lista do Chega, Iniciativa Liberal, CDU (coligação que junta PCP e PEV) e PAN defrontaram-se esta segunda-feira no quarto debate televisivo antes das eleições europeias de 09 de junho, transmitido na SIC e SIC Notícias.
O combate da liberdade de expressão e o combate à desinformação foi um dos temas abordados, com o candidato do PAN a defender o investimento em "inovação e tecnologia", incluindo o recurso a inteligência artificial, para "descobrir, acompanhar e travar toda esta desinformação, muita dela criada pela extrema-direita".
Questionado como é possível garantir o equilíbrio entre liberdade de expressão e o combate à desinformação, Pedro Fidalgo Marques considerou que "tem de haver uma linha vermelha no discurso de ódio, porque o discurso de ódio mata".
"Temos de garantir que não se propaguem discursos de ódio, discursos de discriminação, discursos que põem minorias, pessoas, setores, o que for, para trás e de lado", concretizou.
O cabeça de lista do Chega defendeu que "liberdade de expressão não pode ter limites, não há cá linhas, ou há ou não há".
António Tânger Corrêa queixou-se de que o discurso do Chega é encarado como "mau, tem de ser atacado, ostracizado", criticou quem queira pôr linhas vermelhas e considerou que esta atitude constitui "um discurso de ódio".
Apontando que "as maiorias não podem ser postas em causa pelas minorias", o candidato afirmou que as "minorias estão a tomar conta do discurso político e da narrativa social" com as "agendas 'woke' e outro tipo de radicalismos que são nocivos para evolução das democracias".
Pela IL, João Cotrim de Figueiredo alertou que se pode "cair no risco de, a propósito do combate à desinformação, limitar a expressão das pessoas".
O candidato liberal considerou que a solução passa por "apostar muito mais fortemente no discurso aberto sobre o que é informação que circula, no 'fact checking' [verificação de factos], que tem tido um papel crucial em desmascarar desinformação e na tecnologia".
O cabeça de lista da CDU defendeu que o combate à desinformação e às notícias falsas passa pelo "aprofundamento da democracia" e capacitar os cidadãos "para serem pessoas de corpo inteiro e críticos, capazes de refletir sobre o mundo que têm à volta, e rejeitou "a censura, a limitação de direitos individuais e direitos sociais".
"Mesmo a solução do 'fact checking' não resolve grande coisa, é uma secretaria de Estado da verdade", criticou João Oliveira.
Neste debate, os candidatos mostraram as suas visões também em relação à Defesa e à guerra na Ucrânia.
O cabeça de lista da CDU considerou que o "mundo já gasta dinheiro a mais em armas, era preciso era gastar mais dinheiro em paz" e que "desviar recursos para a indústria de defesa" é "acentuar os perigos da guerra".
Questionado se a Rússia vencer a guerra constitui uma ameaça para Europa, respondeu: "Acredito tanto nos planos da Rússia para controlar a Europa como acredito nas armas de destruição massiva do Iraque, isso é um discurso para alimentar a guerra".
João Cotrim de Figueiredo classificou esta visão como "lírica e irresponsável".
"Enquanto houver no espaço europeu e mundial tiranos e tiranetes, imperialistas, agressivos, sanguinários, disponíveis a sacrificar o seu povo e o dos outros para missões pessoais, o mundo democrático e livre tem obrigação de se defender", salientou o candidato da IL.
António Tânger Corrêa afirmou que o "Chega nunca foi pró-Rússia", apesar de integrar uma família política europeia composta por vários partidos que o são, e indicou primeiro que o posicionamento do partido "à partida" será de apoio à Ucrânia, garantindo mais à frente que "podem contar com o Chega para defender a Ucrânia de corpo inteiro".
Pelo PAN, Pedro Fidalgo Marques defendeu que a Europa deve estar preparada, apoiar a Ucrânia e que devem existir "forças de intervenção rápida multinacionais", rejeitando um exército único europeu.
O cabeça de lista propôs também uma "contribuição extraordinária sobre os lucros excessivos da indústria de defesa que permita dar apoio humanitário e ambiental" àquele país.
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