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‘Cheringonça’ afastada no IRS

Chega quer descida maior nos escalões mais baixos, mas ao contrário do ano passado só vai negociar com o Governo.

27 de junho de 2025 às 01:30

“É a ‘cheringonça’ no seu esplendor.” Assim descrevia, no ano passado, o centrista Paulo Núncio a descida do IRS aprovada por PS e Chega à revelia do Governo. Este ano, esse cenário não é plausível. “Se houver boa vontade do Governo, esse cenário não vai acontecer”, disse André Ventura.

O Chega vai propor uma descida maior nos escalões mais baixos e um aumento das deduções em despesas de saúde e habitação, dizendo-se disponível para negociar no Parlamento a proposta do Governo. O PS, por sua vez, vai continuar a “privilegiar a justiça fiscal e o equilíbrio”, salientou Pedro Delgado Alves, mas não deverá abrir uma frente de guerra com o Executivo.

Pelo PSD, Hugo Soares alertou que “quanto mais tempo a proposta estiver no Parlamento, mais tempo demoram os portugueses a ter uma baixa de impostos”. A intenção do Governo é aplicar a redução do IRS aos salários de setembro, com retroativos a janeiro, como sucedeu em 2024.

“Os portugueses não perdoarão os políticos se atrasarem este processo legislativo com discussões e conversas que não dizem nada à vida deles”, sustentou Hugo Soares. Os sociais-democratas confiam “que os dois maiores partidos da oposição terão a responsabilidade de não só aprovarem as medidas, mas também de permitirem que este processo legislativo seja um processo legislativo célere”.

A IL considera “insuficiente” este alívio fiscal e vai “ver se há margem para ir um pouco mais além”, afirmou Mariana Leitão. Já a esquerda opõe-se à proposta do Governo, com Isabel Mendes Lopes, do Livre, a sinalizar a “vontade do Executivo de agravar as desigualdades em Portugal”.

Para o PCP, a redução do IRS “vai num sentido de aprofundamento da injustiça social e não de uma maior progressividade ou mais justiça fiscal”, considerou Paula Santos. Em contraponto, Inês Sousa Real, do PAN, disse não ter “preconceitos ideológicos” e defendeu o alívio fiscal sobre o trabalho.

De acordo com as simulações do Ministério das Finanças, tendo em conta a redução adicional das taxas de IRS em 500 milhões de euros, face ao Orçamento do Estado de 2025, um casal com dois filhos e três mil euros de rendimento mensal poupa 165 euros por ano.

E TAMBÉM

BAIXA NECESSÁRIA

Para a bastonária da Ordem dos Contabilistas, a redução do IRS era “necessária porque desde a intervenção da 'troika' que o IRS, especialmente naquilo que respeita ao trabalho dependente, viu uma subida muito acentuada”. Paula Franco considerou ainda positivo” a redução abranger os rendimentos até ao oitavo escalão.  

Poupança até 400 euros

A poupança face ao que já estava previsto para este ano pode superar os 400 euros e ultrapassar os 1500 euros por comparação com março de 2024.

0,4 a 0,6%

A proposta do Governo reduz adicionalmente as taxas marginais do IRS em 0,5 pontos percentuais do 1.º ao 3.º escalão, em 0,6 pontos percentuais do 4.º ao 6.º escalão e em 0,4 pontos percentuais no 7.º e 8.º escalões.

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