O histórico ex-dirigente do CDS-PP, Narana Coissoró, considera que “os militantes e os ex-dirigentes” do partido não se sentem “minimamente incomodados” com as investigações que estão a ser feitas no ‘Caso Portucale’ e dos submarinos e discorda em absoluto de qualquer acção contra o Estado por alegada violação do segredo de Justiça.
Em carta enviada ao CM, o antigo vice-presidente do Parlamento e apoiante de Ribeiro e Castro sublinha que “confundir dolosamente os actos políticos dos ministros com actos do partido CDS, além de ser uma grosseira e condenável mistificação, só pode aproveitar aqueles que nada têm para dizer sobre a implosão eleitoral em Lisboa”.
Em seu entender o caso Portucale – que implicava o abate de milhares de sobreiros para um empreendimento turístico – “diz respeito, pessoalmente, aos ministros do órgão de soberania – governo – que os três, então dirigentes, integraram , e não ao partido político como tal”. Por isso, os “eventuais acto ilícitos que porventura tenham existido, nada têm a ver com o CDS como partido”, prossegue o professor, acrescentando que o partido não pode “intentar quaisquer acções contra o Estado por violações do segredo de Justiça”.
Narana Coissoró defende, assim, que os militantes e ex-dirigentes do CDS apenas desejam “que todas as investigações sejam levadas até ao último pormenor, porque se trata de um partido democrático e respeitado, desde a sua fundação há 33 anos”.
Esta posição surge depois do conselho nacional de dia 21 de Julho em que o líder do CDS-PP, Paulo Portas, afirmou que houve 24 violações de segredo de Justiça e de que iria processar o Estado, seguindo as sugestões de Luís Nobre Guedes.
O impacto das notícias sobre o ‘caso Portucale’ e a compra dos submarinos no resultado eleitoral das eleições intercalares em Lisboa foi discutido no Conselho Nacional, mas vários elementos próximos de Portas consideraram que o “score” eleitoral pouco ou nada teve que ver com as informações veiculadas no período de campanha. O presidente da mesa do Conselho Nacional, António Pires de Lima, assumiu publicamente a sua divergência sobre a estratégia seguida ainda antes do início da reunião. E, no discurso dirigido aos conselheiros, o próprio líder apontou o registo de intervenção para o futuro. A estratégia a seguir pelo partido começa a ser delineada no aniversário do partido, num jantar que se realizará, em princípio, no Algarve, dia 28.
LIDERANÇA COM DOIS NOMES À VISTA
Quando o novo ano parlamentar começar, o CDS-PP irá a votos para a liderança da sua bancada, depois de Telmo Correia ter anunciado publicamente que se demitia de todos os cargos incluindo o de presidente do grupo parlamentar. Se a sua posição foi irreversível, Diogo Feyo e Luís Pedro Mota Soares são os dois deputado apontados para o lugar.
Dentro do partido, as opiniões dividem-se. Há quem considere que Telmo Correia volta atrás na palavra, há quem acredite que, mesmo que o quisesse fazer, já não teria espaço de manobra, uma vez que, se demitiu em público após ter falhado a eleição para a Câmara Municipal de Lisboa, nas intercalares de dia 15 de Julho.
Uma coisa é certa, se a bancada tiver dois nomes a disputar a liderança do grupo parlamentar, Paulo Portas terá de gerir este processo com pinças, dado que, desde a anterior Legislatura que não havia mais do um candidato para o lugar. Ou seja, desde 2002, que os deputados democrata-cristãos tinham apenas um nome no boletim de voto para tomarem uma decisão.
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