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Correio da Manhã

Política
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António Costa quer repetir perguntas pagas em 2018

Amostra escolhida por empresa de sondagens recebeu compensação em dinheiro e vales de compras.
Aureliana Gomes e B.C.F. 27 de Novembro de 2017 às 01:30
Membros do Governo responderam a 20 perguntas durante uma hora e meia na Universidade de Aveiro. Iniciativa idêntica já tinha sido realizada no ano passado
António Costa
António Costa
António Costa
Membros do Governo responderam a 20 perguntas durante uma hora e meia na Universidade de Aveiro. Iniciativa idêntica já tinha sido realizada no ano passado
António Costa
António Costa
António Costa
Membros do Governo responderam a 20 perguntas durante uma hora e meia na Universidade de Aveiro. Iniciativa idêntica já tinha sido realizada no ano passado
António Costa
António Costa
António Costa
António Costa não se deixou intimidar pela polémica em torno dos 50 cidadãos que receberam 200 euros em dinheiro ou vales de compras para questionar o Governo. No dia em que o Executivo assinalou dois anos, o primeiro-ministro respondeu a 20 perguntas durante hora e meia e prometeu repetir a receita.

No inicio do plenário, ontem na Universidade de Aveiro, Costa começou por explicar que o Governo presta contas todos os dias, quer na Assembleia da Republica, quer através da comunicação social, reforçando a importância de serem criados momentos em que as pessoas tenham oportunidade de questionar diretamente os governantes. "A melhor forma de o fazer é através das instituições universitárias, para garantir independência e isenção", disse.

As criticas surgiram depois de ser tornado público que, por intermédio de uma empresa de estudos de mercado, cada uma das pessoas que participou no inquérito quantitativo de avaliação ao segundo ano do Governo recebeu cerca de 200 euros para colocar perguntas sobre temas como saúde, educação, emprego ou finanças.

O formato foi estreado pelo Governo em 2016, em Lisboa. "No ano passado, com a GfK [empresa que mede as audiências televisivas, por exemplo] com a Universidade de Lisboa; este ano, com a Aximage [empresa de sondagens]", disse. A iniciativa é para repetir no próximo ano "com estas ou com outras empresas", concluiu.

Os parceiros de ‘geringonça’ criticaram o evento que Jerónimo de Sousa, do PCP, apelidou de "promoção política": "A realização de estudos de avaliação da ação do Governo e da perspetiva futura [...] não pode estar desligada daqueles objetivos [resposta aos problemas dos trabalhadores, do povo e do País], sendo criticável a sua transformação em atos de promoção pública."

Já a coordenadora do Bloco, estranhou o investimento. "Temos feito várias sessões pelo País e tem corrido muito bem. É um modelo que recomendamos", disse ontem.

PORMENORES 
Mais médicos de família
O ministro da Saúde prometeu ontem que até ao final do ano haverá mais utentes com médico de família. "Pela primeira vez vamos ter menos de 500 mil portugueses sem médico de família", disse Adalberto Campos Fernandes.

Investir na fronteira
O primeiro-ministro reiterou ontem a vontade de investir no interior, nomeadamente na zona da fronteira. "As zonas onde podemos fazer mais diferença são as zonas próximas da fronteira. É onde está mais por fazer", disse António Costa.

Alargar complemento
O ministro da Segurança Social, Vieira da Silva, promete que vai alargar o acesso ao complemento solidário para idosos a quem recebe 200 a 300 euros mensais. A medida já foi negociada com o Bloco de Esquerda neste Orçamento.

Descentralização
O primeiro-ministro assegurou ontem que as negociações para concluir o processo de descentralização para as autarquias estão a chegar ao fim e as câmaras terão mais poderes nos chamados serviços de proximidade. Porém, não terão poderes sobre os professores nas escolas nem sobre médicos e enfermeiros nos centros de saúde.

Recado a Mário Centeno
As últimas palavras de António Costa, ontem, foram para Mário Centeno, que tutela as finanças: "Senhor ministro das Finanças, investir hoje na Saúde é poupar mais à frente."

Esquerda pressiona PS até ao final no Orçamento
O Bloco de Esquerda promete pressionar o Governo até à aprovação final do Orçamento do Estado, esta tarde. Na sexta--feira, o PS voltou atrás e pode agora chumbar uma proposta do BE que permitiria baixar a conta da luz em 250 milhões de euros no próximo ano. A decisão caiu mal no BE que, ainda assim, vai hoje aprovar o OE.

"O Bloco, com a atual configuração, com o Orçamento como ele está, com o que foi votado até sexta-feira e, portanto, com todas as medidas que lá estão, considera que é um orçamento que faz alguma evolução e a Mesa Nacional decidiu votar favoravelmente o Orçamento na votação final global", disse ontem Catarina Martins.

Na sexta-feira, a proposta do BE que pretendia tirar 250 milhões de renda aos produtores de energia renovável (sobretudo à EDP) foi aprovada. Só que, pouco antes da meia-noite, o PS voltou atrás e pediu a avocação da norma que hoje volta a ser votada. Ou seja, o PS pode ter-se arrependido e querer agora chumbar a proposta.

Catarina Martins espera que os socialistas não sejam o "velho PS" que "cede às pressões e aos lobbies poderosos da energia" e desafia também a direita a votar ao lado do Bloco. Questionada sobre se o partido irá dificultar a vida ao Governo se a medida for chumbada, Catarina Martins disse que "o BE cumpre todos os seus compromissos".
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