Oposição critica aumento da carga fiscal previsto no Orçamento do Estado.
O primeiro-ministro, António Costa, continua debaixo de fogo da oposição, que o acusa de subir os impostos com o Orçamento do Estado (OE) para 2024. A análise depende da perspetiva. Por um lado, o executivo faz as contas à baixa do IRS, por outro, principalmente a direita, faz as contas do que aumenta. Apesar das divergências, esta segunda-feira, no primeiro dia de discussão do OE, que esta terça-feira será votado na generalidade, até houve tempo para trocar palavras de... ‘amor’.
Durante a sua intervenção, o primeiro-ministro acusou o PSD de assumir a descida do IRS como “os amores de verão” que se “enterram na areia”. A resposta surgiu no momento, à distância, numa publicação na Internet do presidente do PSD. “Nem foi um amor de verão nem está enterrada a nossa proposta fiscal”, escreveu Luís Montenegro, respondendo à letra ao chefe do executivo. “António Costa e a obsessão de bater recordes a cobrar impostos é um amor para a vida toda”, apontou o líder laranja.
Na Assembleia da República, também a Iniciativa Liberal apanhou a boleia do romantismo ao dizer que António Costa “é uma espécie de hora de inverno, porque está sempre a atrasar os ponteiros do desenvolvimento”.
Mas foi o próprio Costa que levou a debate uma das principais armas de arremesso da oposição. “A oposição quer assustar os portugueses” ao falar de “aumentos estratosféricos” do IUC, disse.
André Ventura, do Chega, respondeu com números. Os “25 euros em quatro anos são 400%” de aumento, referiu o deputado. Ventura voltou a dizer que o Orçamento é “a maior vigarice fiscal”, uma vez que o executivo usa “sempre o mesmo truque: primeiro tirar, tirar, tirar, e depois dar alguma coisa”, rematou.
Mariana Mortágua, do BE, reafirmou que a medida do IUC é “errada socialmente” e propôs que o Governo “comece pelos resorts de luxo e jatos”.
O Governo mantém que não há travão nas rendas, mas António Costa voltou a garantir esta segunda-feira que a ajuda do Estado neste âmbito vai chegar às famílias do 6.º escalão do IRS, com taxas de esforço de 35%.
Marcelo admite proposta à defesa
O Presidente da República disse esta segunda-feira que o Orçamento foi feito “à defesa, a não correr riscos excessivos” e que não era possível “fazer muito diferente” do que foi apresentado. Durante a visita oficial à Moldova, Marcelo Rebelo de Sousa admitiu que esta é a proposta “possível”, mas viu espaço para se trabalhar na especialidade em alguns pontos, como no IUC, apesar do momento de “grande instabilidade política e imprevisão económica”.
Oposição critica casa a arder no SNS
A oposição criticou o estado da Saúde, com o PSD a acusar o Governo de estar “numa guerra com os médicos” e apontou que o SNS é “uma casa a arder”, Mariana Mortágua, do BE, disse que o Governo está a fazer uma “chantagem mal disfarçada” nas negociações. O primeiro-ministro ripostou com os atendimentos e consultas feitas e sublinhou: “Não nos venham dizer que queremos cortar na despesa do SNS.”
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