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Dirigente da direção do Livre demite-se acusando a liderança de "decisões unilaterais"

Um dos exemplos apontado pelo dirigente é o de que, segundo os estatutos do Livre, o cargo de porta-voz "deve ser rotativo, em função do tema a abordar".

14 de março de 2026 às 00:01

O dirigente nacional do Livre João Manso demitiu-se da direção, queixando-se de "dinâmicas de controlo de informação" neste órgão e acusando os porta-vozes Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes de "decisões unilaterais".

Num texto divulgado numa plataforma interna do Livre a 07 de março, avançado pelo Observador e ao qual a Lusa teve acesso, João Manso - eleito para a direção pela lista 'C' no último congresso do partido, em 2024 - anunciou a sua renúncia ao cargo, alegando que várias "obrigações estatutárias fundacionais não foram cumpridas".

Um dos exemplos apontado pelo dirigente é o de que, segundo os estatutos do Livre, o cargo de porta-voz "deve ser rotativo, em função do tema a abordar".

"O que temos atualmente é a invenção do cargo de co-porta-vozes fixos, que puxam para si poderes de decisão unilaterais", criticou, referindo-se a Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes.

O agora ex-dirigente queixa-se ainda que as reuniões abertas do Grupo de Contacto (direção) "não foram realizadas na periodicidade mínima mensal e, quando foram levadas a cabo, tenderam a ser transformadas em apresentações encenadas evitando uma verdadeira abertura do órgão e o escrutínio pelos membros e apoiantes".

À Lusa, Isabel Mendes Lopes afirmou que esta "é uma decisão que não surpreende, já que é semelhante à demissão de há dois anos, também em fim de mandato", falando num "comportamento reiterado" por parte deste militante.

João Manso queixa-se ainda de lhe ter sido vedado o "pleno acesso ao e-mail do partido" e, "esgotadas as vias internas", apresentou queixa ao Tribunal Constitucional, que decidiu "não tomar conhecimento do objeto da ação", tendo João Manso apresentado recurso.

João Manso pretendia que "qualquer membro do Grupo de Contacto (GC)" tivesse "acesso pleno à comunicação via e-mail oficial do órgão", incluindo "desde o início do mandato", mas a 22 de fevereiro do ano passado a direção deliberou por maioria que o e-mail ficaria a cargo dos "funcionários e membros da direção responsáveis pela gestão da equipa, na ausência destes" e que "o reencaminhamento dos emails relativos ao GC seria feito "para o email de todos os elementos" do órgão.

Foi ainda decidido que "o reencaminhamento automático" seria feito para quem o solicitasse e que "a equipa de infraestrutura tecnológica" deveria "procurar alternativas tecnológicas mais avançadas e apresentar as propostas para deliberação pelo GC".

João Manso pediu ao TC que impugnasse esta deliberação, mas o entendimento dos juízes do Palácio Ratton foi outro.

"A deliberação objeto da presente ação de impugnação não configura, em suma, uma violação grave de regras essenciais ao funcionamento democrático do Partido (...) pelo que a pretensão do impugnante nunca poderia proceder", lê-se no acórdão do TC, datado de setembro de 2025.

Na resposta enviada à Lusa, Isabel Mendes Lopes defende que "todas as questões" levantadas por João Manso "foram esclarecidas nas várias reuniões de direção" e realça que "o próprio Tribunal Constitucional não lhes deu seguimento", acrescentando que "sobre o acesso aos e-mails, simplesmente deixou encher a caixa, o que fez com que o reencaminhamento automático fosse desativado".

Na publicação que fez na plataforma interna para militantes do Livre, João Manso alega ainda que recentemente "estariam a ser encetadas comunicações com empresas de audiovisuais e 'catering' relativas à marcação do próximo congresso, referindo datas e local, sem que este tema tivesse sido abordado no seio do órgão". O 15.º Congresso do Livre terá que acontecer este ano, mas ainda não tem oficialmente data marcada.

"Considero inaceitável estas dinâmicas de controlo de informação. O coletivo só prospera se houver condições de trabalho funcionais, colaborativas e inclusivas", argumenta João Manso.

Em maio de 2024, a lista encabeçada por Isabel Mendes Lopes, e na qual Rui Tavares era o 'número dois', obteve 61% dos votos, conquistando 10 de um total de 15 lugares.

A lista 'B', encabeçada pela dirigente Natércia Lopes conquistou três lugares (22% dos votos) e a lista 'C', liderada na altura por João Manso, conquistou dois eleitos (14%).

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