José Manuel Pureza acusou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, "de mentir sobre a causa palestiniana".
O ex-deputado do Bloco de Esquerda (BE) José Manuel Pureza classificou este domingo o ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) Paulo Rangel como "o rosto das desculpas permanentes" do Governo sobre Gaza e acusou-o de mentir sobre a causa palestiniana.
Na intervenção final do Fórum Socialismo 2025, a 'rentrée' do BE que este domingo terminou em Coimbra, o também candidato à Câmara Municipal de Coimbra e professor universitário chamou ainda "ridículo" a Paulo Rangel, por este, alegadamente, ter afirmado que o Bloco nunca fez nada pela causa palestiniana.
"Por mais que ele minta, toda a gente sabe que Rangel é o rosto das desculpas permanentes para o não reconhecimento da Palestina por Portugal e do negacionismo da prática de genocídio em Gaza, mesmo contra a avaliação do Tribunal Internacional de Justiça", vincou José Manuel Pureza.
Por outro lado, o antigo deputado do Bloco enfatizou que o Bloco foi o primeiro "já há tanto tempo" a propor o reconhecimento do Estado da Palestina.
"Eu registo que a reação, sempre esbracejante, de Paulo Rangel, foi a de acusar o Bloco de, supostamente, nunca ter feito nada pela Palestina, enquanto ele sim, é o campeão desta causa. Se o ridículo pagasse imposto, a tributação de Paulo Rangel dava para corrigir o subfinanciamento crónico do SNS [Serviço Nacional de Saúde]", ironizou José Manuel Pureza.
Ao longo dos dois dias da edição 2025 do Fórum Socialismo, a deslocação da coordenadora nacional Mariana Mortágua a Gaza, na flotilha humanitária que este domingo partiu de Barcelona (Espanha) em direção ao território palestiniano, foi, por diversas vezes, evidenciada pelos intervenientes.
Estava previsto uma intervenção em direto, por videochamada, da líder do BE, que foi cancelada por dificuldades de comunicação com a embarcação onde se encontra, no mar Mediterrâneo, substituída por um curto vídeo pré-gravado, de pouco mais de um minuto.
Acompanhada, na mesma embarcação, pela ex-presidente da Câmara de Barcelona, Ada Colau, Mariana Mortágua contou esperar chegar a Gaza nas próximas duas semanas.
"Estamos com muita esperança de conseguir furar o bloqueio [de Israel a Gaza] porque o apoio que recebemos em Barcelona foi incrível. Foram milhares e milhares de pessoas a apoiarem a saída destes barcos, há dezenas e dezenas de nacionalidades, espero que possam acompanhar nos próximos dias esta viagem", declarou.
Numa segunda mensagem vídeo, este domingo difundida e gravada especificamente para o Fórum Socialismo, Mariana Mortágua considerou Gaza como "a bússola moral dos nossos tempos".
Sobre a atualidade política nacional, afirmou que o Palácio de São Bento "foi ocupado pelo Governo mais perigoso do nosso país", e, embora antecipando "tempos difíceis" para a esquerda, assinalou que o Bloco "quer crescer".
"É uma tarefa gigante aquela a que nos propomos, mas não há outra forma", notou a coordenadora do BE.
Entre os temas que o Bloco pretende debater, conta-se a proposta, já anunciada, de uma comissão parlamentar de inquérito aos meios aéreos e combate aos incêndios, o início do ano letivo, antecipando "um desastre", a nova legislação laboral e uma das 'bandeiras' eleitorais do partido -- uma lei que ponha um limite máximo ao teto das rendas da habitação -- cuja proposta, garantiu, irá dar entrada no Parlamento.
O Fórum Socialismo 2025 foi este domingo considerado por José Manuel Pureza como o maior de sempre: registou 651 inscritos, que participaram em 43 debates com 61 intervenções, disse.
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