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Ex-ministra diz que teria requerido serviços mínimos para greve às horas extra do INEM

Em fevereiro de 2019, um parecer do Conselho Consultivo da PGR pedido pela então ministra da Saúde, Marta Temido, considerou "ilícita" a greve cirúrgica dos enfermeiros.

09 de abril de 2026 às 20:25

A ex-ministra da Saúde Marta Temido disse esta quinta-feira que teria requerido serviços mínimos para a greve ao trabalho suplementar dos técnicos de emergência pré-hospitalar, suportada em pareceres jurídicos.

"Eu teria pedido pareceres jurídicos, como fiz no caso da greve cirúrgica, e teria requerido [serviços mínimos]", afirmou, reconhecendo que a lei da greve "é muito difícil para a saúde".

Em fevereiro de 2019, um parecer do Conselho Consultivo da PGR pedido pela então ministra da Saúde, Marta Temido, considerou "ilícita" a greve cirúrgica dos enfermeiros.

O parecer apontou ilegalidades por se tratar de uma greve setorial e rotativa, diferente do pré-aviso, e defendeu a sua suspensão imediata.

Nas declarações que prestou esta semana na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao INEM, o ex-presidente, Sérgio Janeiro, disse que não tinha enquadramento legal para exigir a presença de trabalhadores que estavam em greve ao trabalho suplementar.

Marta Temido está hoje a responder aos deputados da CPI ao INEM, que pretende apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

Durante as greves dos técnicos de emergência pré-hospitalar (TEPH), entre 30 de outubro e 4 de novembro de 2024, registaram-se 12 mortes, três das quais associadas a atrasos no socorro, segundo a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).

Questionada várias vezes sobre as verbas dos saldos de gerência que, por regras do Orçamento do Estado, o INEM teve de devolver no tempo em que Marta Temido era ministra da Saúde, a ex-governante lembrou a pandemia e disse que a verba foi usada para aquisição de ventiladores e equipamentos de proteção individual.

"Não foi retirar para pôr de lado ou usar indevidamente. Foi retirar para satisfazer uma necessidade maior, sem a qual não haveria necessidade do INEM porque estaríamos todos mortos", afirmou.

A ex-ministra criticou a relação entre a atual ministra da Saúde e do anterior presidente do INEM Luís Meira, dizendo que não havia confiança mútua.

Composta por 24 deputados para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM, a CPI foi aprovada em julho do ano passado por proposta da IL.

O foco inclui a atuação do INEM durante a greve do final de outubro e início de novembro de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

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