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Correio da Manhã

Política
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Ferro Rodrigues espera que o PS disponha de "panóplia de alternativas" para governar

Presidente da Assembleia da República deixou um recado à direção do seu partido.
Lusa 26 de Julho de 2019 às 09:09
Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República
O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues
O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues
Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República
O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues
O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues
Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República
O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues
O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues
O presidente da Assembleia da República considera que o PS não deve colocar a questão da maioria absoluta como tema central e espera que disponha de uma "panóplia de alternativas" da esquerda à direita para governar.

Nesta entrevista à agência Lusa, Ferro Rodrigues defende a importância para o sistema democrático resultante da atual solução política, com um Governo minoritário socialista suportado no parlamento pelo Bloco de Esquerda, PCP e PEV, mas não manifesta qualquer certeza sobre a possibilidade de esta mesma solução se poder repetir na próxima legislatura, fazendo tudo depender dos resultados das próximas eleições.

"O PS possivelmente estará em condições de ter uma panóplia de alternativas à sua disposição para poder governar, continuando a sua governação, como até agora, em diálogo e em trabalho conjunto. Os estudos de opinião, como agora se diz em linguagem politicamente correta, permitem antever que o PS poderá escolher parceiros, ou o parceiro, desde a direita até à esquerda. Isso é bom para o país e bom para o primeiro-ministro", António Costa, declarou.

Questionado sobre a possibilidade de o PS alcançar uma vitória com maioria absoluta nas próximas eleições legislativas, Ferro Rodrigues recusou-se a fazer o papel de analista político.

"Aquilo que sei é que todos os partidos, em última análise, vão querer ter maioria absoluta. O que seria anormal e um absurdo era os dirigentes do PS pedirem aos eleitores para não votarem no PS para não terem maioria absoluta", observou.

No entanto, no plano estratégico, o antigo líder socialista e ministro dos dois governos liderados por António Guterres deixou um recado à direção do seu partido.

"Acho que o PS não deve colocar essa questão [da maioria absoluta] como central na campanha, mas também não pode levar a que os eleitores do PS, que tenham gostado muito desta solução política, como é o meu caso, façam apelos para que não se vote no partido. Isso levado até o infinito e ao absurdo levaria a que ninguém votasse no PS", apontou.

Neste tema, o presidente da Assembleia da República sustentou que "a centralidade do parlamento", que considerou ter-se verificado a partir desta legislatura, teve uma consequência muito concreta, porque "significa que as maiorias, ou a maioria que se estabeleça na Assembleia da República, é aquela que é determinante para a formação de um próximo Governo".

O antigo líder do PS entre 2002 e 2004 advogou que, nesta legislatura, se quebrou "um tabu, segundo o qual só havia possibilidade de soluções ou de maioria absoluta de um partido ou de soluções que passassem por entendimentos com o centro e com a direita".

"Quebrou-se o tabu de que era impossível um entendimento do PS com outras forças de esquerda para durar uma legislatura. Isso também significa que alguns partidos deixaram de se considerar a si próprios como partidos meramente de protesto e passaram a considerar-se a si próprios como partidos que podem ter um protagonismo de Governo", referiu.

E, numa alusão indireta ao Bloco de Esquerda, PCP e PEV, Ferro Rodrigues colocou mesmo uma hipótese de evolução do sistema político português a médio ou longo prazo: "E imaginar daqui a 20 ou 30 anos que esses partidos podem estar com outros em vez de aliados com o PS", sugeriu.

"Portanto, o que se passou nesta legislatura foi uma novidade estratégica e estrutural no funcionamento do sistema político português, que permite atualmente muito mais soluções", insistiu.

Interrogado sobre a possibilidade de a presente solução de Governo se repetir nos mesmos moldes na próxima legislatura, o presidente da Assembleia da República deu uma resposta prudente.

"O que vai acontecer a partir de 06 de outubro só os eleitores é que podem determinar. Como é óbvio, todos os partidos querem ter mais votos do que tiveram. Querem ter o máximo de votos que for possível. Portanto, o que vai acontecer vai depender dos eleitores portugueses e a composição da Assembleia da República vai refletir esse voto dos portugueses", justificou.
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