Concelho de Barcelos é campeão nacional no número de freguesias: tem 61.
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Juntar as duas freguesias foi uma bela ideia porque se alargou o convívio. Em Igreja Nova, o povo não fazia o magusto e não havia sequer a ceia dos idosos no Natal", explica Lúcia Barbosa, de 56 anos, viúva, nascida, criada e residente em Alheira, onde também trabalha como auxiliar de educação.
Igreja Nova e Alheira foram juntas na reforma administrativa de 2013. A primeira, com 384 habitantes em 2,72 km2 de extensão, era nos dois aspetos uma das mais pequenas no concelho de Barcelos, campeão nacional em número de freguesias. Antes da reforma contava 89 e agora ainda tem 61. Englobar freguesias é característico no distrito de Braga. Além de Barcelos, Guimarães, a própria capital do distrito e Vila Verde formam o top 4 do País.
A abundância de freguesias compreende-se quando se circula no concelho, com as placas dos nomes das localidades a sucederem-se sem interrupção do casario. O povoamento disperso e desordenado é caótico. Para os visitantes, a regra é perderem-se.
Em Alheira, enfiámos por uma rua sem saída, onde achámos uma faixa negra com letras pintadas a branco: "Há discriminação queremos uma Alheira igual p/todos". Uma senhora da vivenda em frente referiu: "Não sei o que isso é. Apareceu no domingo quando os candidatos dos partidos andaram por aí". Outro habitante diz que o nome da terra nada tem a ver com o enchido: "O que havia aqui eram campos onde se cultivavam alhos. Daí, Alheira".
A faixa polémica complicou os contactos porque houve quem pensasse que o CM fora chamado à freguesia para denunciar escândalos. Sem peias falou Lúcia Barbosa que encontrámos a tomar café na sede do ACRA (Associação Social Cultural e Recreativa) clube com forte intervenção local, através de centro de dia, lar e ATL além de equipas de futsal. O seu presidente é candidato à junta de freguesia e daí ser apontado como a única pessoa que podia falar. Diferenciou-se a alheirense que, entre elogios à união com Igreja Nova e ao duplicar das festas, deu outra pista: "Tenho um dos meus filhos emigrado nos EUA, em Mineola (Nova Iorque), onde há um clube deste género chamado Alheirense."
Uma abordagem de sorte na rua valeu a seguir o resto da história. António Martins Pinheiro, de 49 anos, contou: "Sou dos fundadores do Alheirense Cultural Center, de Mineola. Fui para os EUA em 1985. Joguei futebol a lateral-direito na equipa que deu origem ao clube. Fomos campeões de Long Island e falei com o Tony Meola, famoso guarda-redes da seleção americana, sobre uma transferência. Voltei a Portugal, casei e fiquei. Mas o Joaquim 'Jack' Martins, filho de pai de Alheira, foi 'mayor' de Mineola e senador estadual de Nova Iorque."
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