Concurso público para a "Construção da Ponte D. António Francisco dos Santos e Acessos" foi lançado a 25 de junho de 2021.
O presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, adiantou esta sexta-feira que vai reunir-se na próxima semana com o homólogo do Porto para "fechar" a decisão relativamente à ponte D. António Francisco dos Santos.
"É neste momento bem claro para toda a gente que, do ponto de vista financeiro e do ponto de vista da razoabilidade da decisão política, o que faz sentido é uma ponte única de dois tabuleiros e, portanto, é preciso fechar o assunto", afirmou, em declarações aos jornalistas, o presidente da Câmara de Gaia.
À margem da reunião do Conselho Metropolitano do Porto, Eduardo Vítor Rodrigues adiantou que tanto o Porto como Gaia estão "muito abertos a resolver o assunto", e que a intenção dos municípios nunca foi serem "os donos da ponte ou autores da ideia".
"Era para suprir uma necessidade. Se essa necessidade é suprida à mesma, agora que veio a questão da alta velocidade e com razoabilidade no que diz respeito à gestão da coisa pública, é evidente que estaremos de acordo", referiu.
Questionado sobre a análise das seis propostas submetidas ao concurso de conceção e construção da ponte D. António Francisco dos Santos, Eduardo Vítor Rodrigues disse ainda não ter o relatório final do júri, salientando, no entanto, que as propostas podem "não estar válidas por causa do valor".
"Tudo isto decorre com um nível de lentidão processual que altera circunstâncias de preços e ficamos todos mal. Corremos o risco de, não tendo esta decisão, não ter nenhum concorrente validamente aceite com o valor dentro do intervalo definido no concurso e nessa altura fica o concurso deserto", destacou.
O concurso público para a "Empreitada de Conceção-Construção da Ponte D. António Francisco dos Santos e Acessos" foi lançado a 25 de junho de 2021, pelo preço base de 38,5 milhões de euros.
A concurso foram admitidos sete candidatos: a empresa Puentes y Calzadas Infraestructuras S.L.U., o consórcio de Alexandre Barbosa Borges, S.A. e Construgomes Engenharia, S.A., o consórcio Mota-Engil, Engenharia e Construção, S.A. e Omatapalo - Engenharia e Construção, S.A., o consórcio Afavias - Engenharia e Construções, S.A., Casais - Engenharia e Construções, S.A. e Teixeira Duarte - Engenharia e Construções, S.A., o consórcio Ramalho Rosa Cobertar, Sociedade de Construções, S.A. e FCC Construcción, S.A., o consórcio Alberto Couto Alves, S.A., Alves Ribeiro, S.A. e Betar Consultores, Lda., e a empresa Conduril - Engenharia, S.A..
Em 21 de outubro, a Câmara do Porto adiantou à Lusa que, dos sete candidatos, seis tinham submetido propostas, dizendo, no entanto, não ser possível determinar o prazo para a conclusão da análise do júri.
Questionada à época pela Lusa sobre o que acontecerá ao concurso, uma vez que a ponte em causa poderá vir a ser incluída no projeto da linha de alta velocidade, a autarquia remeteu para as declarações prestadas a 27 de setembro pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, quando afirmou que "se nada surgir em contrário, a ponte D. António Francisco dos Santos será naturalmente construída".
O Jornal de Notícias avançou a 26 de setembro que em vez de duas novas pontes sobre o rio Douro, a solução que está a ser negociada entre a Câmara do Porto, Câmara de Gaia e a Infraestruturas de Portugal (IP) passa por "apenas uma ponte com dois tabuleiros: um para o comboio de alta velocidade e outro rodoviário".
Dois dias depois, a Infraestruturas de Portugal (IP) avançou que a construção de uma única nova ponte rodoviária e ferroviária sobre o rio Douro é uma solução cuja "viabilidade técnica" está "comprovada", mas a decisão caberá aos autarcas e à tutela.
"Do ponto de vista financeiro é muito mais barato fazer uma ponte do que duas pontes [sobre o rio Douro, ligando o Porto e Gaia]. A viabilidade técnica da fusão das duas pontes está comprovada. Esta é uma solução totalmente viabilizada. Será uma decisão dos senhores autarcas [do Porto e de Vila Nova de Gaia] e do senhor ministro [das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos]", disse Carlos Fernandes, do conselho de administração da IP.
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