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Correio da Manhã

Política
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Governador consensual e elogiado

A saída de Vítor Constâncio para a vice-presidência do Banco Central Europeu (BCE) abre portas à entrada de Carlos Costa para o lugar de governador do Banco de Portugal (BdP), um nome consensual que merece rasgados elogios de economistas e banqueiros.
23 de Abril de 2010 às 00:30
Carlos Costa
Carlos Costa FOTO: Pedro Catarino

A Vítor sucede Carlos, dois nomes diferentes e dois estilos distintos. Ao tecnocrata Constâncio sucede um homem discreto e com um vasto currículo europeu. Artur Santos Silva, ‘chairman’ do Banco Português de Investimento, não tem dúvidas de que se trata de "uma excelente escolha". Carlos Santos Ferreira, presidente do BCP, considera que se trata de "um homem experiente que conhece profundamente o sistema".

Para Ricardo Salgado, líder do BES, Carlos Costa "é um banqueiro muito importante, experiente, que reúne todas as condições para ser um grande governador", um pensamento seguido por Nuno Amado, presidente do Santander Totta, que diz tratar-se de uma pessoa com "o perfil adequado para continuar a traçar o necessário rumo de qualidade e exigência do Banco de Portugal". Ao ‘Jornal de Negócios’, Mira Amaral, presidente do BIC, descreveu Carlos Costa como um "excelente profissional" que deve apostar na supervisão.

Entre os economistas, os aplausos repetem-se. Silva Lopes acredita que Carlos Costa tem exercido o cargo com independência, pelo que "dá garantias a esse respeito". Nas palavras de Nogueira Leite, o recém--nomeado "tem um vasto currículo não apenas em termos de estudos económicos e política monetária mas na área financeira, que é uma área em que o BdP carecia de novo alento". Já António de Sousa, representante da Banca, diz que o sector fica "tranquilo" com a nomeação.

Esta indigitação produz efeitos a 1 de Julho, data em que Constâncio assume o cargo em Frankfurt, na Alemanha. O CM tentou, sem êxito, contactar Carlos Costa.

PARTIDOS APROVAM NOME ESCOLHIDO 

Da esquerda à direita, o nome de Carlos Costa revelou-se consensual. Para Francisco Assis, porta-voz do PS, o novo governador é "uma personalidade de reconhecidos méritos" e com "perfil absolutamente adequado para o desempenho dessa função". Miguel Macedo, o líder parlamentar do PSD, disse não ter objecções mas sublinhou que o PSD não foi contactado pelo Governo. O secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, disse ao CM que o partido "não negocia lugares". O CDS-PP pede independência do Governo e o PCP credibilidade.

 

SAIBA MAIS

SURGIMENTO

O Banco de Portugal foi criado em 19 de Novembro de 1846, tendo a função de banco comercial e de banco emissor. Surgiu da fusão do Banco de Lisboa com a Companhia Confiança Nacional, uma sociedade especializada no financiamento da dívida pública.

1974 - Após a nacionalização, em Setembro de 1974, as funções e estatutos foram redefinidos. A Lei Orgânica de 1975 atribuiu-lhe o estatuto de banco central e incluiu, pela primeira vez, a função de supervisão.

15.º - Carlos Costa será o 15.º governador do Banco de Portugal. Após o 25 de Abril de 1974, passaram pelo cargo Silva Lopes, o próprio Vítor Constâncio (em 1985 e 86), Tavares Moreira, Miguel Beleza e António de Sousa.

 

PERFIL

Natural de Cesar, Oliv. Azeméis, tem 61 anos e é licenciado pela Faculdade de Economia do Porto. Residia no Luxemburgo, onde desempenhava o cargo de vice-presidente do Banco Europeu de Investimento. Independente próximo do PSD, foi chefe de gabinete de Deus Pinheiro em Bruxelas.

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