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Na opinião de José Manuel Pureza "tudo isto é uma tragédia para o país" defendendo que o Governo deve ser "claramente censurado".
O coordenador do Bloco de Esquerda considerou hoje "não haver dúvida nenhuma" de que o Governo "evidenciou toda a sua falta de empenho e toda a sua incompetência na gestão" das consequências das tempestades que assolaram o país.
José Manuel Pureza falava aos jornalistas à margem do Encontro do Trabalho do Bloco de Esquerda, que decorreu em Almada, no distrito de Setúbal, quando questionado a propósito do relatório da Presidência da República sobre o mau tempo do início do ano.
"Não há dúvida nenhuma que o Governo evidenciou toda a sua falta de empenho e toda a sua incompetência na gestão desta situação, sendo que tudo isto já seria mau, mas é bem pior, porque as vítimas dessa incúria, as vítimas dessa negligência, são comunidades situadas, a maior parte delas, na periferia das grandes cidades e constituídas sobretudo por pessoas que economicamente e socialmente são frágeis e portanto não têm poder reivindicativo acrescido", disse.
O coordenador do BE disse ainda que "tudo o que se passou no imediato da tempestade Kristin, e depois do comboio de tempestades que se seguiu, mostrou a evidente incapacidade por parte do Governo, quer do ponto de vista da gestão da comunicação, quer do ponto de vista da capacidade no terreno de dar as respostas imediatas que eram urgentes para as comunidades afetadas".
"Mostrou também a incúria, a negligência com que os Governos foram abordando os equipamentos públicos que manifestamente mostraram a sua enorme fragilidade perante as intempéries", frisou.
Na opinião de José Manuel Pureza "tudo isto é uma tragédia para o país" defendendo que o Governo deve ser "claramente censurado".
"Espero que o relatório do Sr. Presidente da República sirva para mostrar essa incompetência", sustentou.
No relatório da Presidência Aberta na Zona Centro do país, realizada por António José Seguro entre 06 e 10 de abril às zonas afetadas pelas tempestades, divulgado hoje pelo Público e a que a Lusa teve acesso, o Presidente da República considera que as consequências do mau tempo que atingiu o país no início do ano exigem que "se acelerem apoios, se clarifiquem medidas" e se melhore a coordenação entre entidades no terreno.
"As preocupações identificadas ao longo da Presidência Aberta são claras: a lentidão de alguns apoios, a persistência de situações por resolver, a necessidade de reforçar a redundância das telecomunicações, do fornecimento de energia, das acessibilidades e da comunicação em emergência, e a urgência de garantir que o território entra nos meses de maior risco em condições mais seguras do que aquelas em que saiu do inverno", refere.
O relatório aponta ainda que a governação da crise gerada pelas tempestades de janeiro e fevereiro "revelou insuficiências de coordenação, clareza e interoperabilidade".
"A crise expôs debilidades no aviso, na comunicação de risco, na articulação entre níveis da administração, na clareza dos interlocutores setoriais, no enquadramento do apoio militar, na interoperabilidade entre plataformas e na capacidade de tratamento administrativo da informação", refere-se no documento.
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