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Governo não desmente factos sobre negócio da TAP

Finanças dizem que a notícia de que a Lufthansa fica com a TAP de borla é falsa, mas não desmentem os factos concretos.

17 de outubro de 2026 às 01:30

O governo afirma que a Lufthansa não fica com a TAP de borla, como revelou o CM esta sexta-feira, mas não desmente os factos sobre o negócio. Em comunicado o Ministério das Finanças afirmou que a notícia “é um exemplo grave de mentira, ignorância e má-fé” e que “é uma falsidade”, mas não desmentiu os dados apresentados pelo CM que permitem concluir, com base nas contas da TAP, que a Lufthansa fica com a TAP de borla. No comunicado, o Ministério das Finanças indica vários valores para defender a sua posição, mas omite o valor do dinheiro que a TAP tem em depósitos e caixa e os valores dos prejuízos fiscais que podem ser abatidos nos lucros nos próximos anos, que sustentam a notícia do CM.

Na última quarta-feira, o Governo usou os hipotéticos lucros futuros da TAP e o respetivo hipotético pagamento de dividendos ao Estado como um elemento importante para a recuperação dos 3200 milhões de euros injetados pelo Estado na empresa. Se o Governo utilizou este critério futurista para defender o negócio, não podendo garantir que a TAP vai dar lucros e que o Estado vai receber dividendos, o CM usou um critério com dados atuais das contas da TAP, para esclarecer melhor os termos do negócio. Foi com base nas contas da TAP que se chegou à conclusão que a Lufthansa fica com a TAP de borla: a Lufthansa compra 49,9% da TAP por 1201 milhões de euros mas a TAP tem 1221,1 milhões de euros em depósitos e caixa e 1042,6 milhões de euros em prejuízos fiscais que podem ser deduzidos nos lucros nos próximos anos, que somados são superiores ao valor pago Lufthansa.

O Ministério das Finanças defende que “uma empresa não vale apenas o que tem em caixa ou em prejuízos por reportar. Uma empresa vale por aquilo que tem e por aquilo que deve. No caso concreto, o preço inclui também um compromisso de investimento em novos ativos, que só na frota, representam entre três e quatro mil milhões de euros”.

Até agora, a Lufthansa não fez nenhum pagamento ao Estado pela compra da TAP. Mas, até dezembro, terá de dar uma entrada de 25,6 milhões de euros, segundo uma Resolução do Conselho de Ministros esta sexta-feira publicada em Diário da República.

Ministério acusa jornalista de má-fé mas ignora muitas perguntas

O Ministério das Finanças acusa o autor da notícia de ontem do CM de “má-fé porque em nenhum momento o jornalista procurou junto do Governo saber mais informação ou esclarecimentos”, mas ignorou com frequência as perguntas enviadas pelo CM sobre outros temas. Quanto a este caso, sendo as contas da TAP públicas, na análise efetuada pelo CM, nenhum motivo justificava o envio de perguntas ao Governo, tal como acontece muitas vezes com, por exemplo, o Orçamento do Estado.

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