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Protesto de acampados regressa com mais tendas

Com a adesão a crescer de "algumas dezenas" para três mil pessoas em poucos dias, os manifestantes pela habitação voltam este sábado.

17 de outubro de 2026 às 01:30

Depois de várias noites em protesto, o Movimento Pela Habitação promete não desarmar. Para este sábado, já está convocada uma acampada na Praça D. Pedro IV (Rossio), em Lisboa. E também às 19h00 os manifestantes voltarão a montar as tendas na Praça D. João I, onde se têm concentrado desde o passado sábado. Antes, da parte da manhã, estarão na rua em apoio à manifestação da CGTP contra o aumento do custo de vida.

Começando com "algumas dezenas de acampados", como referiu o movimento em comunicado, o protesto tem ganhado tração. Na quinta-feira à noite, estiveram mais de três mil pessoas no protesto. A desmobilização aconteceu às 1h30, mais cedo do que no dia anterior, quando uma carga policial fez quase 40 feridos. A decisão de terminar o protesto terá sido devido a uma alegada infiltração de "uma dezena de militantes de um grupo de extrema-direita". Uma das pessoas terá sido mesmo agredida, ficou ferida e necessitou de hospitalização.

O grupo "já tinha sido identificado antes do início da Assembleia pela nossa equipa de segurança. Existiam pelo menos seis militantes de extrema-direita infiltrados. Começaram por provocar verbalmente, um dos elementos que se mostrou agressivo acabou por agredir pessoas da manifestação e foi feito um cordão humano para proteger essas pessoas", conta ao CM Pedro Manuel, um dos porta-vozes do movimento. E acrescenta: "Entretanto, não vi o que aconteceu, só sei que o elemento desse grupo caiu no chão e ficou desacordado. A nossa equipa de cuidados prestou os primeiros socorros e chamou a ambulância que o levou para o hospital."

Leonor, outra das manifestantes, refere ter dado conta de "uma mobilização de fascistas, armados para atacar. A polícia também não ia ajudar e foi melhor desmobilizar".

Uma das participantes na manifestação denunciou, entretanto, nas redes sociais, ter sido agredida por um grupo alheio aos protestos, quando regressava a casa por um grupo alheio ao movimento. "Infelizmente, ela foi agredida. Sabemos que não precisou de ser hospitalizada, mas sofreu vários hematomas, alguns na zona da cara", conclui João Silveira, outro manifestante.

O movimento anunciou, à Lusa, que está a preparar propostas sobre a habitação para entregar à Câmara Municipal do Porto.

Ministro: Governo não cede

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, afirmou esta sexta-feira que o Governo "não vai ceder aos gritos que vêm da rua". No Parlamento, o governante disse ainda que "a habitação é um problema muito sério", mas deixou um aviso: "Que se desenganem os que julgam que as soluções nascem do tumulto. Não se resolve o problema com bandeiras da Palestina."

IGAI averigua

A Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI) já abriu um inquérito à carga da PSP, na madrugada de quarta-feira, contra os manifestantes pelo direito à habitação no centro do Porto.

PSP: Imagens no MP

A PSP remeteu para o Ministério Público (MP) uma participação com imagens de vídeo sobre a intervenção policial na manifestação pela habitação na madrugada de quinta-feira.

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