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Manifestantes votam pela permanência e pernoita na Praça D. João I

Em assembleia popular, os presentes votaram não só que o movimento pela habitação se mantenha no local, como também que vão pernoitar na praça esta noite, não apenas os organizadores.

Atualizado a 16 de outubro de 2026 às 01:40

Os manifestantes pelo direito à habitação que hoje estão concentrados na Praça D. João I, no Porto, votaram em assembleia popular permanecer e pernoitar no local, onde na última madrugada foram alvo de carga policial.

Em assembleia popular, os presentes votaram não só que o movimento pela habitação se mantenha no local, como também que vão pernoitar na praça esta noite, não apenas os organizadores.

Segundo o manifestante João Silveira, associado à organização, explicou mais cedo Lusa, a decisão foi de pernoitar «mais uma noite», sem tendas, deixando o apelo a que quem se juntou à concentração possa juntar-se «à manifestação da CGTP no sábado», para «dar força à luta».

«Fazemos um apelo a que as pessoas que votaram fiquem aqui connosco para garantirmos a proteção contra a polícia», mencionou.

João Silva explicou que há apenas uma tenda numa grade, «simbolicamente», mas não montada no chão, e o plano de levantar a acampada não está a ser equacionado, enquanto a assembleia popular deve ainda tomar mais decisões sobre «os próximos passos».

No sábado, está prometida nova «ocupação da praça», que já estará autorizada pela Câmara do Porto para «o dia todo», com atividades e protesto.

Uma ambulância do INEM foi acionada, pouco depois da meia noite, para assistir um jovem que foi agredido. Inicialmente, pensava-se que se tratava de um manifestante, mas, ao que o CM apurou, o ferido é um membro de um grupo de extrema direita constituído por seis pessoas, que se infiltrou na manifestação. Antes da chegada da ambulância, o homem foi assistido por pessoas com conhecimentos médicos que se encontravam no local. O grupo acabou por se dispersar. 

Cerca de 2.500 pessoas acorreram hoje ao protesto convocado pelos organizadores da acampada, após uma madrugada em que foram alvo de carga policial, da que resultaram 39 feridos, dois deles graves, segundo contabilização da organização, e um polícia ferido, comunicado pela PSP.

O movimento pela habitação que tem protestado no Porto denunciou hoje uma carga policial, esta madrugada, que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave.

De acordo com o movimento, entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração foram hospitalizados.

Os participantes voltaram a instalar tendas durante a noite, que foram retiradas pela polícia, depois de o presidente da Câmara do Porto ter dito na quarta-feira que seria "absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas" na Praça D. João I".

O movimento apresenta seis reivindicações principais: "abaixo a lei das rendas; fim dos despejos; fim da compra de imóveis por fundos abutres; mais habitação pública; recuperação de imóveis devolutos para habitação; tetos às rendas".

Na nota de hoje, o movimento "denuncia veementemente o uso de força extrema, desproporcional e injustificada durante a intervenção policial na acampada, que se manteve, desde o primeiro momento, pacífica, sem nunca incitar à violência", considerando a carga "inaceitável" e pedindo responsabilidades.

A PSP confirmou, entretanto, um polícia ferido e a existência de feridos entre os manifestantes, sem precisar quantos, atribuindo a razão da intervenção a "comportamentos de resistência".

O presidente da Câmara do Porto disse hoje que a PSP se viu "forçada" a atuar, perante a atitude dos manifestantes, tendo lamentado o incidente.

Na quarta-feira, numa assembleia popular, as pessoas votaram por manter o protesto e voltar a dormir em tendas, manifestando o grupo vontade de "continuar a crescer e não só no Porto", apelando a outras cidades, como o que já está convocado para Lisboa no sábado.

Na segunda-feira, a Polícia Municipal retirou cerca de 50 tendas que estavam armadas na praça, fundamentando a câmara que o acampamento ocupava indevidamente o espaço público, levando os manifestantes a dormir ao relento, mantendo o protesto mesmo sem isso.

Publicada originalmente a 15 de outubro de 2026 às 23:39

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