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Governo passa o ano a aliar-se ao Chega e no fim pede ao PS que viabilize o Orçamento do Estado

Para o socialista, o Governo não pode estar "sistematicamente" a pedir responsabilidade ao PS e não demonstrar essa mesma responsabilidade.

28 de março de 2026 às 21:55

O deputado socialista António Mendonça Mendes acusou este sábado o Governo de "passar o ano inteiro a aprovar leis com o Chega" para, no final do ano, "mandar a conta ao PS", pedindo ao partido que viabilize o Orçamento do Estado (OE).

Numa intervenção no 25.º Congresso Nacional do PS, o antigo governante defendeu que se assistiu, ao longo do último ano, a "uma aliança de facto entre o Chega e o Governo", argumentando que "em todas as matérias" o executivo procura o partido liderado por André Ventura menos na altura de votar o Orçamento do Estado

"É com o Chega que [o Governo] decide o futuro deste país. Só há uma circunstância em que o Governo não o faz. O Governo passa o ano inteiro a aprovar leis com o Chega e Chega ao fim do ano manda a conta para o PS pagar aprovando o Orçamento de Estado", argumentou.

Mendonça Mendes frisou que o OE é "uma coisa de adultos e exige responsabilidade", mas que os socialistas "devem dizer claramente ao Governo que a responsabilidade que se exige ao PS é a mesma responsabilidade que o PS exige ao Governo".

Para o socialista, o Governo não pode estar "sistematicamente" a pedir responsabilidade ao PS e não demonstrar essa mesma responsabilidade.

Antes, o deputado considerou que o que os eleitores não confiaram na AD nas últimas legislativas para que a coligação do Governo "desbaratasse o excedente orçamental" deixado pelo executivo socialista para "depois não ter dinheiro para pagar àqueles que perderam as casas com as tempestades" ou responder à subida do preço dos combustíveis.

Acusou ainda o Governo de mentir quando disse ao país que o "secretário-geral do PS estava a enganar os portugueses quando dizia que o saldo da Segurança Social estava escondido e era de mais mil milhões de euros".

"Agora que os resultados estão conhecidos, o secretário-geral do PS tinha razão, o governo mentiu e o governo tem a obrigação de pedir desculpa a José Luís Carneiro", argumentou.

Posteriormente, o antigo ministro da Administração Interna Eduardo Cabrita abordou o impasse na eleição para os órgãos externos, em particular para o Tribunal Constitucional, acusando o PSD de "trair a memória dos constituintes de 1975" como Pinto Balsemão, Marcelo Rebelo de Sousa, Mota Amaral, Mota Pinto ou Jorge Miranda.

Os sociais-democratas, acrescentou, estão este sábado a "abrir um acordo preferencial com a extrema-direita que tem como objetivo destruir estes 50 anos de democracia".

Também a vereadora da Câmara de Lisboa Alexandra Leitão deixou críticas à direita, imputando-lhe uma intenção "muito clara" de "tentar acantonar o PS na extrema-esquerda e condicionar a sua atuação".

"Quando o centro político está tão enviesado como está hoje em Portugal para a direita, não restam dúvidas caras e caros camaradas que até o mais moderado dos sociais-democratas será um dia considerado radical", disse ainda, acrescentando que o "PS nunca se deixará acantonar e nunca terá vergonha da sua matriz social-democrata".

Leitão definiu como o "grande desafio" do partido reconquistar a confiança do eleitorado e conseguir demonstrar que os socialistas são capazes de resolver os seus problemas e são uma "alternativa justa e progressista à governação da direita e da extrema-direita".

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