Turista está sujeito ao pagamento dos custos associados à operação.
O turista que foi resgatado na quinta-feira pela Força Aérea após ter subido à montanha do Pico, nos Açores, desrespeitou o regulamento e está sujeito ao pagamento dos custos associados à operação, disse, esta sexta-feira, o Governo Regional.
A Força Aérea realizou, na quinta-feira, o "resgate complexo" de um homem de nacionalidade holandesa que se encontrava "encurralado numa zona escarpada" da montanha do Pico, nos Açores, através de um helicóptero EH-101 Merlin.
O secretário regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, disse, esta sexta-feira, à agência Lusa que se trata de um caso de "acesso indevido" à Reserva Natural da Montanha do Pico.
Segundo o governante, o turista não validou o acesso na Casa da Montanha e fez a subida "sem registo de entrada prévio", contrariando o regulamento em vigor.
"Como tal, e de acordo com o disposto no regulamento de acesso à Casa da Montanha, o acesso não autorizado, constitui uma contraordenação ambiental, pelo que será instaurado o respetivo processo", disse.
Além disso, nos termos do mesmo regulamento, tratando-se de um resgate efetuado em resultado do incumprimento no acesso à reserva natural, "os custos inerentes ao resgate, no valor de 1.200 euros, serão também imputados ao visitante, sendo que qualquer outro custo associado a este resgate será também automaticamente imputado" ao cidadão.
"A montanha é um local protegido e, além disso, apresenta um ambiente desafiador e exigente, sobretudo fora do trilho homologado, daí a importância do acesso ser regulado e controlado e de serem observadas as boas práticas para garantir a segurança dos utilizadores e das equipas de resgate e para evitar situações desta natureza, de futuro", explicou.
Alonso Miguel referiu à Lusa que o acesso à montanha do Pico processa-se através da Casa da Montanha, onde é feito um registo prévio e é entregue um GPS aos visitantes, situação que garante a possibilidade de os serviços monitorizarem e rastrearem o acesso e garantirem "condições mínimas de segurança".
"Evidentemente, se as pessoas prevaricam e acedem à montanha sem ser através do local adequado e em incumprimento deste regulamento, estão automaticamente a colocar-se em risco e a colocar também a segurança de quem tem esta tarefa de os resgatar", admitiu.
O secretário regional do Ambiente e Ação Climática dos Açores considera "importante que as pessoas saibam que há um regulamento e que há legislação a cumprir, e que essa legislação existe por uma razão".
"Que é para garantir, desde logo, a integridade deste património natural, que é protegido, mas também para garantir condições de visitação adequadas e, sobretudo, em segurança", concluiu.
Segundo um comunicado da Força Aérea, a vítima, de 31 anos, que apresentava sinais de exaustão e desidratação, encontrava-se numa zona de "muito difícil acesso", na vertente norte da montanha, conhecida como "Areeiro de Santa Luzia", a cerca de 2.134 metros de altitude, o que impossibilitava a sua extração através dos meios terrestres em condições de segurança.
O homem pediu auxílio ao Centro de Coordenação de Busca e Salvamento das Lajes (RCC Lajes), da Força Aérea, que reportou a situação à Casa da Montanha, a entidade responsável pelo apoio e controlo das subidas e descidas na montanha do Pico, que procedeu à ativação de uma equipa de resgate dos Bombeiros Voluntários da Madalena.
No entanto, "após avaliação do cenário, por razões de segurança, a equipa de resgate considerou inviável a extração por terra, face ao perigo para os operacionais e para o próprio, recomendando o empenhamento de meios aéreos", adiantou.
Por solicitação do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, o helicóptero da Força Aérea, sediado na Base Aérea N.º 4, na ilha Terceira, foi acionado para o local e, uma hora depois, a vítima foi "recuperada com sucesso".
O homem foi transportado para o aeroporto do Pico, seguindo posteriormente para uma unidade de saúde.
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