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Guerra de 'luvas' com negócio das fragatas

Empresa deixa em aberto a eventualidade de vir a reclamar aos estaleiros italianos uma comissão a ser paga com dinheiro da venda ao Estado português.

23 de agosto de 2026 às 01:30

Há uma guerra de ‘luvas’ na compra de três fragatas ao Estado italiano. A empresa portuguesa NTG deixou em aberto a eventualidade de vir a reclamar uma comissão aos estaleiros italianos que vão construir as fragatas que Portugal vai adquirir por 3,9 mil milhões de euros.

Apesar de confirmar que “não reclama, nem reclamou, qualquer pagamento ao Estado português”, a empresa refere que “a sua contribuição para a criação e o desenvolvimento da oportunidade foi material, documentada e direta, mantendo integralmente reservados todos os seus direitos”. Diz que, desde 2020, trabalhou para o negócio com “contactos institucionais, apresentações e iniciativas junto das entidades portuguesas relevantes”.

Assume, ainda assim, que “não integrou a equipa formal de negociação intergovernamental, nem participou nas reuniões finais conduzidas diretamente entre os Estados português e italiano, nem foi afastada pelo Governo das mesmas”. No esclarecimento da NTG, o Ministério da Defesa Nacional viu a confirmação de que “os contactos e negociações só aconteceram ao nível dos Estados de Portugal e Itália”.

A tutela destaca que não houve nenhum “afastamento da empresa alegadamente determinado pelo ministério” e insta quem fez “alusões sobre o destino de comissões” a retratar-se. Recorde-se que a polémica estalou quando Nuno Melo fez saber que vai processar o jornal ‘24Horas’ por ter noticiado que um alegado afastamento da NTG teria levado a uma perda, para essa empresa, de 90 milhões de euros em comissões. 

Reação

“Em comunicado, a NTG confirmou o que o Ministério da Defesa Nacional, afirmava: não participou nas reuniões e negociações entre Portugal e Itália, não foi afastada pelo Governo e não reclama, nem reclamou, qualquer pagamento ao Estado português”, afirmou o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo.

Audição no Parlamento

O Chega foi o primeiro a pedir a audição de Nuno Melo na AR para explicar os contornos do negócio, depois foi a própria AD a pedir para “dissipar as dúvidas”.

Chega dá nega ao CDS

O CDS exigiu ao Chega um pedido de desculpas por acusações sobre a compra das fragatas, mas André Ventura recusou e disse que o seu trabalho é escrutinar “onde é que o dinheiro público está a ser gasto”.

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