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Correio da Manhã

Política
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Helena Roseta demite-se após PS pedir suspensão da votação das alterações às rendas

Deputada votou contra e demitiu-se da direcção do grupo de trabalho da habitação.
23 de Outubro de 2018 às 11:34
Lisboa
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Alegando que está em causa "uma matéria muito complexa", que "exige muita ponderação", o grupo parlamentar do PS pediu esta terça-feira a suspensão do processo de votação do pacote de alterações ao arrendamento. Salientando que na próxima semana será votado na generalidade o Orçamento do Estado para 2019 e solicitando que os trabalhos no que toca às alterações à lei das rendas sejam retomados depois de terminado o processo de discussão orçamental, na primeira reunião depois de votação final global do OE.

O pedido de suspensão já se esperava, na medida em que, tal como o Negócios noticiou hoje, o Parlamento está dividido e o PSD e o CDS-PP juntaram-se ao PCP e decidiram votar contra as propostas de lei. 

O requerimento socialista foi aprovado numa primeira votação indiciária ainda na reunião do gripo de trabalho da habitação com os votos favoráveis do PE e do PSD e a oposição do PCP e do Bloco de Esquerda. O CDS-PP não esteve presente na reunião. Esta votação deverá ainda ser ratificada em comissão na reunião prevista para esta terça-feira à tarde.

Helena Roseta demite-se

Helena Roseta acompanhou os votos no grupo de trabalho, onde a votação é feita "por bancada", mas anunciou que em Comissão, onde cada deputado poderá votar de forma independente, votará contra. "O meu dever de consciência é não adiar uma coisa que considero que é urgentíssima", afirmou em declarações aos jornalistas à margem da reunião do grupo de trabalho. Roseta, que é presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, lembrou ainda que Fernando Medina havia feito um apelo a que as alterações às rendas fossem rapidamente aprovadas no Parlamento, no seu discurso do 5 de Outubro. Não concordando com a posição do PS. Roseta anunciou ainda que apresentava a sua demissão da coordenação do grupo de trabalho da habitação. "Obviamente demito-me", rematou.

Também o PCP e o Bloco salientaram a urgência da aprovação das medidas que estão em cima da mesa, desaprovando  a suspensão dos trabalhos. "Este adiamento não responde à situação de emergência social que se vive no mercado do arrendamento", sublinhou o bloquista Pedro Soares. "O BE vê com a maior preocupação este adiamento e não pode acompanhar o PS", sublinhou.

Paula Santos, do PCP, alertou para as consequências: o processo em causa "não vem de ontem" e as situações "de enorme pressão sobre as famílias" exigem a "tomada de medidas para proteger o direito à habitação". Sendo que o calendário inicialmente previsto era a anterior legislatura, o "PCP não pode acompanhar a proposta do PS de novo adiamento dos trabalhos", afirmou igualmente.

Já o PSD acabaria por admitir que o processo exige mais tempo e, assim sendo, votou favoravelmente o pedido de suspensão dos trabalhos.

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