Socialista referiu que, "muito em breve", o PS/Açores irá ter eleições para a presidência.
O líder do PS/Açores disse, este domingo, que o partido tem de estar preparado "para ir a eleições e governar a qualquer momento", por considerar que o atual Governo Regional de coligação PSD/CDS-PP/PPM é "muito instável".
Francisco César afirmou na reunião da Comissão de Ilha do PS de São Miguel, realizada no Cineteatro Lagoense, na Lagoa, que o partido "tem que estar preparado para ir a eleições e governar a qualquer momento, porque a situação, efetivamente, é muito instável da parte do Governo Regional" liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro.
O socialista referiu que, "muito em breve", o PS/Açores irá ter eleições para a presidência e, no final do ano, será realizado o Congresso Regional para preparar o partido "para um novo ciclo".
"Nós temos um Governo Regional que não só governa mal, tem uma conjuntura muito difícil, mas mesmo internamente tem muitas dificuldades do ponto de vista quer da afirmação da liderança do Governo, quer da estabilização de políticas, quer no relacionamento entre os próprios secretários regionais, membros do Governo, diretores regionais que nós sabemos que não se entendem. E quando não há estabilidade, todos nós perdemos", afirmou.
Também referiu que o PS "não deseja eleições" antecipadas, por considerar que os ciclos eleitorais devem ser cumpridos e que deve ser o Governo Regional a resolver os problemas que o próprio criou.
"Mas, não tenham a mínima dúvida, no momento em que nós acharmos que a presença deste Governo é mais prejudicial do que a sua alternativa, do que a alternância democrática e termos novas eleições, nós não temos problema nenhum em votar na Assembleia Legislativa os instrumentos que forem necessários para que essa substituição se efetue, e que o povo seja novamente chamado a dizer o que é que acha sobre o destino que nós devemos ter", vincou.
O líder socialista açoriano também referiu que o executivo regional "gasta mais do que arrecada" e que se assiste a uma degradação dos serviços públicos.
Em termos financeiros, lembrou que o Governo dos Açores nunca teve "tanto dinheiro", mas também nunca gastou tanto como agora, referindo que desde que tomou posse, em 2020, teve "o equivalente a cinco orçamentos dos Governos Regionais do PS", que geriu a região entre 1996 e 2020.
Francisco César alertou que os efeitos da atual crise internacional "estão a chegar" e se o ciclo for negativo, com diminuição de receitas por via da redução do consumo e uma crise pela redução do turismo, o atual Governo da região não terá capacidade "para responder a isso".
"Não haverá capacidade para apoiar as empresas, não haverá capacidade para apoiar o consumo, não haverá capacidade para pagar operações turísticas para poder contrabalançar a diminuição que já estamos a ter do ponto de vista do turismo, porque [os membros do Governo Regional] não planearam, porque não têm recursos", disse.
Se a crise se confirmar, admite que a região terá "muitas dificuldades" e o executivo "olha para fora, para o continente, para programas europeus, como a única solução para os problemas que tem".
César disse que no âmbito da última solução apontada, que tem a ver com o Programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), na qualidade de deputado na Assembleia da República apresentou um requerimento ao Governo, conjuntamente com o deputado Carlos Pereira.
Este domingo, disse que o Governo da República deu uma resposta "no mínimo curiosa", relacionada com "uma elencagem de todos os apoios" que a região teve este ano, no âmbito do Orçamento regional.
Assim, vai exigir ao executivo de Luís Montenegro que, "de uma vez por todas, diga se vai ou não vai apoiar a Região Autónoma dos Açores naquilo que tem a ver com os investimentos no âmbito do PTRR".
"Se o Governo Regional fala baixinho quando o Governo da República não lhes dá aquilo que eles querem, não será o PS a falar baixo, será o PS a exigir aquilo que efetivamente é devido", prometeu Francisco César.
Na reunião deste domingo da Comissão de Ilha do PS de São Miguel, André Franqueira Rodrigues foi eleito presidente da mesa (sucedendo a José San-Bento) e Cristina Calisto foi reconduzida na liderança do secretariado.
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