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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Minutos antes do ataque, suspeito de tiroteio no jantar da Casa Branca escreveu à família para criticar administração Trump

Investigadores acreditam cada vez mais que o ataque teve motivações políticas.

26 de abril de 2026 às 18:14
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Imagens de videovigilância mostram momento em que atirador tenta entrar no jantar de correspondentes da Casa Branca

O homem acusado de disparar com uma arma de fogo num jantar dos Correspondentes da Casa Branca, escreveu um manifesto que enviou a membros da família poucos minutos antes do tiroteio, referindo-se a ele mesmo como o "Assassino Federal Amigável", criticando a administração Trump e sinalizando aquilo que os investigadores acreditam cada vez mais ter sido um ataque com motivação política.

Segundo um membro das autoridades próximo da investigação citado pela Associated Press, nos escritos, enviados pouco antes dos disparos no hotel Washington Hilton, Cole Tomas Allen fez várias referências ao presidente Donald Trump, sem o nomear diretamente, aludindo a queixas sobre uma série de decisões da administração, incluindo os ataques a navios de tráfico de droga no oceano Pacífico.

Cole Allen escreveu que as autoridades, funcionários do hotel e os convidados não eram os alvos, mas estava disposto a atacá-los para chegar à administração, acrescentando: "espero que não chegue a esse ponto".

Os investigadores consideram que os escritos, além de uma série de publicações nas redes sociais e entrevistas aos familiares, são algumas das provas mais claras do estado mental do suspeito e possíveis motivos.

O irmão do suspeito, alarmado pelo e-mail que ele e outros membros da família receberam, alertou a polícia de Connecticut. As autoridades encontraram outros escritos na casa do suspeito na California e no quarto de hotel no Washington Hilton, onde decorria o jantar da Casa Branca.

As autoridades encontraram numerosas publicações 'anti-Trump' ligadas ao suspeito, Cole Tomas Allen, um cidadão californiano de 31 anos.

Allen está detido numa estação do Departamento da Polícia Metopolitana em Washington DC, segundo apurou a CBS News junto das autoridades. O suspeito será transportado para um centro de detenção. Na segunda-feira, será ouvido no tribunal federal.

"Posso ter surpreendido muitas pessoas hoje"

Ao longo do e-mail, o tom transmitia ironia. "Olá a todos!", começou Allen. "Peço desculpa aos meus pais por dizer que tinha uma entrevista sem especificar que era para os [criminosos] 'Mais Procurados'", escreveu.

O suspeito também pediu desculpa aos colegas e alunos por dizer que tinha uma emergência pessoal e disse que, no momento em que alguém estivesse a ler o e-mail, provavelmente precisaria de tratamento de emergência.

Refutações a objeções hipotéticas

Allen argumentou contra possíveis objeções que os leitores pudessem ter contra o ataque.

"Como uma pessoa metade negra, metade branca, não devias ser a pessoa a fazer isto. Refuto: Não vejo mais ninguém a assumir a responsabilidade", escreveu.

Outra objeção seria sobre o facto de ser cristão e ter o dever de "não responder com a mesma moeda". "Refuto, não responder com a mesma moeda é para quando tu és oprimido".

"Eu não espero o perdão, mas se tivesse encontrado outra forma de chegar tão perto [do jantar], eu teria feito assim", disse o suspeito.

Allen critica a segurança no hotel

"Ok, agora que a parte lamechas terminou, que raio é que os Serviços Secretos estão a fazer? Sem segurança nenhuma. Nem no transporte. Nem no hotel. Nem no evento", escreveu o suspeito detido.

Allen disse que, se fosse um agente iraniano, podia ter entrado com uma metralhadora e ninguém ia reparar.

A CBS News explica que, como o Washington Hilton continuava a funcionar com diversos espaços públicos de forma normal, apenas partes específicas do edifício estavam a ser vigiadas pelos Serviços Secretos.

Família diz que suspeito referiu que pretendia fazer "algo" para resolver os problemas

A irmã do suspeito disse às autoridades que Allen utilizava retóricas "radicais" 

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