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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Líder do PS sugere ao Governo envio de meios da Proteção Civil para a Venezuela

José Luís Carneiro recordou que há "mais de 600 mil portugueses e lusodescendentes que vivem e que têm as suas vidas estabelecidas na Venezuela".

25 de junho de 2026 às 12:20

O secretário-geral do PS sugeriu esta quinta-feira ao Governo que disponibilize os serviços da Proteção Civil para apoiar as autoridades venezuelanas nos trabalhos de socorro e de buscas após os sismos verificados no país sul americano.

José Luís Carneiro falava aos jornalistas em Olhão, à margem de uma visita a uma empresa de produção de atum, manifestando a sua "solidariedade muito profunda às autoridades venezuelanas" e deixou uma palavra muito sentida de solidariedade à comunidade portuguesa e lusodescendente" que se encontra na Venezuela.

O líder do PS recordou que há "mais de 600 mil portugueses e lusodescendentes que vivem e que têm as suas vidas estabelecidas na Venezuela" e adiantou já ter falado "com pessoas que se encontram no país e que estão a viver momentos de muita dificuldade, de muita angústia".

O dirigente partidário destacou que Portugal tem "capacidades únicas para busca, resgate e salvamento" em casos se sismos e esses meios já foram enviados para outros cenários internacionais, devendo agora o Governo disponibilizá-los para apoiar as operações de socorro no país.

"E a minha sugestão é que o governo português se disponibilize às autoridades venezuelanas e, junto do mecanismo europeu de proteção civil, possam colocar os meios da proteção civil europeia ao dispor da Venezuela para efeitos de resgate, busca e salvamento de pessoas que possam estar desaparecidas em função destas circunstâncias", apelou.

A ativação do mecanismo europeu de proteção civil permitiria que meios europeus fossem também "projetados em conjunto", permitindo uma "maior eficácia na resposta", até porque a Venezuela também tem comunidades significativas oriundas de outros países europeus, como a Itália, a Alemanha ou a Espanha, exemplificou.

José Luís Carneiro disse já ter falado com um de contacto que tem na Venezuela e, "até agora, não havia reporte de qualquer português" afetado, mas alertou para a possibilidade de isso vir a acontecer, dada a dimensão da comunidade portuguesa na Venezuela e das pessoas que ainda estão para ser socorridas.

Dois sismos de 7,2 e 7,5 na escala de Richter foram registados na Venezuela, pelas 18:00 de quarta-feira (23:00 em Lisboa), causando até ao momento, segundo a presidente interina do país, Delcy Rodríguez, pelo menos 32 mortos e mais de 700 feridos.

Delcy Rodríguez disse numa declaração transmitida pela emissora estatal Venezuelana de Televisión que La Guaira terá sido a região mais afetada e declarou o estado, situado no norte do país sul-americano, perto da capital, como uma "zona de desastre".

Rodríguez admitiu que são esperadas mais vítimas mortais, à medida que decorrem os esforços de resgate e salvamento, após os sismos de magnitude 7,5 e 7,2 na escala de Richter, na quarta-feira, com apenas 39 segundos de intervalo.

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