Marta Sofia reiterou que as pessoas estão "descrentes e descontentes" com os políticos atuais.
A cabeça de lista do Livre às eleições legislativas de domingo na Madeira, Marta Sofia, reiterou esta sexta-feira que as pessoas estão "descrentes e descontentes" com os políticos e apelou à sua consciência para iniciar uma mudança na região.
"As pessoas têm consciência e é a essa consciência que eu apelo", disse, explicando que o apelo que deixa "é a que as pessoas tenham consciência que estes 48 anos de políticas falhadas [de governos liderados pelo PSD] não são a solução, nunca foram, e que isto precisa realmente de mudar".
No último dia de campanha para as eleições regionais antecipadas, a candidatura do Livre realizou uma caravana à volta da ilha da Madeira e programou uma arruada no Funchal a partir das 20:00.
Em declarações à agência Lusa, Marta Sofia disse que o balanço da campanha é "positivo" e que os candidatos do Livre foram bem recebidos no contacto direto com a população, mas reconheceu que "só porque [as pessoas] te acolhem, só porque te ouvem, porque partilham a suas dores contigo, não quer dizer que elas vão votar".
"Elas o que precisam, realmente, é de serem ouvidas e só o tempo que nós estamos a dar é importante", salientou Marta Sofia, acrescentando que muitas pessoas, nas mensagens de apoio, destacaram o facto de "ser dura com as práticas do Governo, mas não ter um discurso de ódio".
A candidata, que não é filiada no Livre, sinalizou a "descrença" e o "descontentamento" face aos políticos como marcas gerais na população, mas também o "comodismo" perante a situação.
"Na realidade, eu não estou à espera de que os votos sejam garantidos só pela abordagem [positiva] que as pessoas me dão, porque estão neste momento descontentes e muitas delas dizem que não acreditam que isto vá mudar", disse.
Marta Sofia, que tem 40 anos e é profissional de cultura, destacou também a presença em ações de campanha do porta-voz do partido, Rui Tavares, e de deputados do Livre na Assembleia da República, considerando que contribuíram para "reforçar e dar visibilidade" à candidatura.
O Livre estreou-se nas eleições legislativas regionais em setembro de 2023 e obteve 858 votos (0,65%), num universo de num universo de 135.446 votantes.
As legislativas de domingo na Madeira decorrem com 14 candidaturas a disputar os 47 lugares no parlamento regional, num círculo eleitoral único: ADN, BE, PS, Livre, IL, RIR, CDU (PCP/PEV), Chega, CDS-PP, MPT, PSD, PAN, PTP e JPP.
As eleições antecipadas ocorrem oito meses após as mais recentes legislativas regionais, depois de o Presidente da República ter dissolvido o parlamento madeirense, na sequência da crise política desencadeada em janeiro, quando o líder do Governo Regional (PSD/CDS-PP), Miguel Albuquerque, foi constituído arguido num processo em que são investigadas suspeitas de corrupção.
Em setembro de 2023, a coligação PSD/CDS venceu sem maioria absoluta e elegeu 23 deputados. O PS conseguiu 11, o JPP cinco, o Chega quatro, enquanto a CDU, a IL, o PAN (que assinou um acordo de incidência parlamentar com os sociais-democratas) e o BE obtiveram um mandato cada.
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