Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, a deputada do Livre Filipa Pinto considerou "inacreditável" que Fernado Alexandre "não assuma as suas responsabilidades".
Livre, PCP e BE exigiram esta quinta-feira ao ministro da Educação que assuma as suas responsabilidades sobre as falhas no processo de correção digital dos exames nacionais e que "nem pense" em culpar os professores por eventuais atrasos.
Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, a deputada do Livre Filipa Pinto considerou "inacreditável que o senhor ministro mais uma vez não assuma as suas responsabilidades", depois de Fernando Alexandre ter afirmado esta manhã que faltam professores para classificar os exames nacionais de algumas disciplinas, apelando à disponibilidade dos docentes.
"A culpa deste caos não é dos professores, a culpa é de terem levado a cabo uma megalómana digitalização de exames, sem qualquer planeamento, prevenção e agora também implementação. Uma implementação que, como estamos a perceber, tem sido um desastre", criticou a deputada do Livre.
Filipa Pinto considerou que um governante, numa situação destas em que "famílias e alunos estão em pânico", deveria "trazer tranquilidade". "E um governante que não faz isto não é um bom governante", acrescentou.
Interrogada sobre se este contexto intensifica a necessidade de aprovar uma comissão parlamentar de inquérito, como foi proposto pelo BE, Filipa Pinto respondeu que "além de auditorias que têm de ser feitas", uma comissão deste tipo também poderá "trazer respostas que são necessárias perceber e compreender num momento destes".
Pelo PCP, o deputado Alfredo Maia avisou o Governo para que "nem pense em tentar responsabilizar os professores pelo que está a acontecer", após as declarações do ministro da Educação esta manhã.
"O que está a acontecer é da exclusiva e inteira responsabilidade do Governo e do Ministério da Educação e por isso tem que assumir todas as responsabilidades. Não pode penalizar os estudantes e também não pode responsabilizar professores que não têm nenhuma responsabilidade neste processo", defendeu o deputado.
Alfredo Maia argumentou que "os últimos desenvolvimentos comprovam mais uma vez a importância do debate de urgência marcado pelo PCP" para sexta-feira, "assim como comprova a gravidade da imensa atrapalhada que está montada em relação aos exames e que afeta centenas de milhares de estudantes e as suas famílias".
O deputado do PCP rejeitou que sejam "os estudantes a pagar a fatura" e a acabar prejudicados neste processo e alertou para o previsível aumento de pedidos de revisão de prova que devem surgir após a publicação das notas finais.
Pelo BE, o deputado único Fabian Figueiredo disse ter assistido a "uma das conferências de imprensa mais surreais de um ministro", acusando Fernando Alexandre de não assumir as suas responsabilidades ao ter "desmantelado" os organismos do Ministério e ignorado os alertas do projeto-piloto no exame de Filosofia, que já tinha registado algumas falhas.
Fabian Figueiredo acusou ainda o ministro de mentir, afirmando que Fernando Alexandre "há uns dias" garantiu que não havia falta de professores qualificadores e "à 25.ª hora a desculpa que arranja é esta".
O parlamentar defendeu que assim que este processo terminar Fernando Alexandre deve apresentar a sua demissão, porque "o país precisa de um novo ministro" e o atual "não tem credibilidade para nada".
O bloquista considerou ainda que o primeiro-ministro tem que garantir que o primeiro dia de aulas começa na data prevista, em setembro, sob pena de "o caos de julho somar-se ao caos de setembro", e desafiou Luís Montenegro a anunciar esta quinta-feira no debate a isenção da taxa de 25 euros para reapreciação de prova.
Fabian Figueiredo apelou ainda a todos os partidos, inclusive PSD e CDS-PP para que viabilizem a comissão parlamentar de inquérito proposta pelo BE, por estar "em causa um pilar fundamental do sistema de ensino e do acesso ao Ensino Superior".
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