Antigo ministro da Saúde sublinhou que mantinha contacto direto e permanente com os dirigentes sindicais durante o mandato.
O anterior ministro da Saúde, Manuel Pizarro, afirmou esta quarta-feira que, se estivesse em funções aquando da greve do INEM de 2024, as consequências dessa paralisação não teriam acontecido, devido ao contacto permanente que mantinha com os sindicatos.
"Eu tenho a profunda convicção, aliás provada pelo ano e meio em que fui ministro, que se eu fosse ministro nunca tinha acontecido o que aconteceu em torno da greve de outubro e de novembro de 2024 no INEM", declarou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
Aos deputados, Pizarro sublinhou que, enquanto esteve no cargo entre setembro de 2022 e março de 2024, manteve contacto direto e permanente com os dirigentes sindicais, garantindo que esse acompanhamento permitiu evitar situações semelhantes.
"Enquanto fui ministro fiz tudo o que estava ao meu alcance para limitar a existência e o impacto das greves do INEM", lembrou.
O ex-governante socialista insistiu que nunca, durante o seu mandato, se verificou algo comparável ao que ocorreu no final de 2024.
"Nunca em 2022 ou em 2023 ou até ao dia 02 de abril de 2024 houve nada que se comparasse no INEM com a greve de outubro e novembro de 2024, nunca nada que se comparasse. Eu ainda tenho aqui no meu telemóvel o número dos dirigentes sindicais, porque telefonava-lhes, se fosse caso disso, de manhã, à tarde ou à noite", realçou.
Pizarro disse que, do seu ponto de vista, é "impensável" que um membro do Governo não acompanhe "de forma absolutamente constante" uma greve no INEM, dada a sensibilidade do serviço de emergência médica.
"Eu sabia tudo o que se passava numa greve do INEM 'on time', porque é impensável do meu ponto de vista que um membro do Governo não acompanhe uma coisa séria como uma greve do INEM de forma absolutamente constante. Eu não precisava de ver no telejornal nem nos jornais que havia um problema, eu sabia que havia um problema e intervinha para limitar o impacto das greves", explicou.
O antigo ministro recordou que a resolução rápida da paralisação, assim que o sindicato foi chamado ao Ministério da Saúde, demonstra a complexidade do processo e a importância da mediação política.
Durante as greves dos técnicos de emergência pré-hospitalar (TEPH), entre 30 de outubro e 4 de novembro de 2024, registaram-se 12 mortes, três das quais associadas a atrasos no socorro, segundo a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).
Pizarro defendeu ainda a qualidade do INEM, afirmando que a instituição se destaca no panorama internacional e que os profissionais garantem, diariamente, respostas rápidas e qualificadas à população.
"Eu sustento que o INEM é uma grande instituição do país e que na comparação internacional o INEM honra Portugal e honra os portugueses", realçou, elogiando o corpo técnico do instituto e sublinhando a elevada preparação e dedicação dos profissionais.
O ex-governante reconheceu que existem falhas e margem para melhorias, mas insistiu que essas limitações sempre existiram e nunca comprometeram o funcionamento global do sistema de emergência pré-hospitalar -- até ao final de 2024.
"Isso é que nunca tinha acontecido antes. A resposta do INEM e a confiança que os portugueses podem ter, isso foi tudo anterior a esses dias fatídicos em que, de facto, a resposta do INEM esteve muito comprometida", frisou.
Composta por 24 deputados para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM, a CPI foi aprovada em julho do ano passado por proposta da IL.
O foco inclui a atuação do INEM durante a greve do final de outubro e início de novembro de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.
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